Bloco Democrático assinala o Dia de África e homenageia vítimas do 27 de Maio

O Bloco Democrático (BD) assinalou hoje o Dia de África com um pronunciamento público em que reafirma o seu compromisso com os ideais de unidade, liberdade e justiça no continente africano, ao mesmo tempo que rende homenagem às vítimas do 27 de Maio de 1977, um dos episódios mais trágicos da história de Angola.

Num comunicado emitido pela Comissão Política Permanente, o partido sublinha que o 25 de Maio representa uma data carregada de simbolismo para os povos africanos, por reflectir a luta pela emancipação, soberania e dignidade. “É uma ocasião para reafirmarmos o nosso compromisso com uma África verdadeiramente livre, justa e democrática, onde os direitos humanos e a dignidade da pessoa estejam no centro da construção dos nossos Estados”, destaca o BD.

Contudo, a organização política recorda que, em Angola, o mês de Maio é também marcado por uma dor profunda. A 27 de Maio de 1977, no seio do então partido único, o MPLA, milhares de cidadãos foram mortos numa onda de repressão brutal. “Alguns dos melhores filhos do país – jovens idealistas, quadros competentes e patriotas convictos – foram barbaramente assassinados. A coesão social foi destruída, o medo instalou-se nas famílias, e a independência conquistada perdeu o seu sentido prático”, lê-se no documento.

O Bloco Democrático solidariza-se com as famílias que ainda hoje carregam a dor da perda e a sede de verdade e justiça. O partido considera que “os espíritos ainda não estão em paz” e que persiste um clima de silêncio e medo em torno do episódio. Por isso, lança um apelo aos familiares e amigos das vítimas para que, neste dia, usem camisolas brancas com as fotografias dos seus ente-queridos, como gesto simbólico de memória e reconciliação.

“O país precisa de assumir esta tragédia com verdade, justiça e reparação espiritual”, defende o BD, acrescentando que é essencial criar condições para que episódios semelhantes jamais se repitam, quer no interior de partidos, quer no seio do Estado ou da sociedade.

A nota termina com a reafirmação do compromisso do partido na construção de uma sociedade baseada no respeito mútuo, nos direitos humanos e na paz duradoura. “O futuro de Angola só será verdadeiramente novo se for sem medo, sem repressão e com memória”, conclui.

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