Secretário-geral da FNLA vê ascensão do Chega em Portugal como alerta para emigrantes

O secretário-geral da FNLA, Aguiar António Laurindo, considerou como um “sinal de alerta” para os emigrantes angolanos em Portugal o avanço do partido Chega nas últimas eleições legislativas. Segundo Laurindo, a ascensão da legenda de extrema-direita levanta preocupações sobre as futuras políticas migratórias no país.

“O Chega ainda não venceu as eleições, mas com a coligação vencedora (AD – Aliança Democrática, formada pelo PSD e CDS) sem maioria absoluta, o partido poderá ter papel decisivo na formação do novo governo. Isso implica que algumas de suas exigências poderão ser aceitas, especialmente na área da imigração”, declarou.

Laurindo alertou para possíveis mudanças radicais no sistema de cidadania portuguesa. Entre elas, o fim do princípio do jus soli, que garante nacionalidade a crianças nascidas em território português, mesmo que sejam filhas de emigrantes. “Esse partido quer restringir a cidadania apenas a pessoas de origem portuguesa. Isso afetará diretamente os africanos e outras comunidades de emigrantes”, destacou.

Outro ponto criticado por Laurindo é a intenção declarada do Chega de reduzir a contratação de imigrantes para empregos considerados de baixa qualificação. “Querem eliminar a chegada de novos emigrantes e até expulsar os que já estão em Portugal”, afirmou.

Apesar das críticas, o dirigente da FNLA reconhece que partidos de extrema-direita, como o Chega, têm capitalizado bandeiras populares, como o combate à corrupção. Ele cita a atuação do partido contra a suposta conivência de governos de esquerda com práticas ilícitas, incluindo casos que envolvem elites estrangeiras, como membros ligados ao MPLA, partido que governa Angola.

“A extrema-direita pode até representar riscos em termos históricos, como o racismo e a ideia de supremacia, mas há pontos que merecem reflexão, como o endurecimento contra a corrupção e o fim do acolhimento de políticos corruptos estrangeiros em Portugal”, ponderou.

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