Soberania não é censura – Jonas Mulato

O recente comunicado da Presidência da República, impedindo o acesso da RTP ao Palácio Presidencial, confirma o que muitos angolanos já sabiam: o poder político em Angola tem sido um entrave à liberdade de imprensa.

A RTP tem servido de alternativa informativa num país onde os órgãos públicos são dominados pela propaganda governamental e a perseguição política. Em vez de responder com maturidade institucional a críticas legítimas, a Presidência opta por medidas de retaliação política, demonstrando intolerância ao contraditório e à diversidade de ideias.

Soberania não pode ser confundida com censura. Uma democracia forte convive com a crítica, não a silencia. Este acto revela uma liderança mais preocupada com a sua imagem do que com o direito dos cidadãos à informação plural.

Como juventude consciente, não podemos ser cúmplices do silêncio. É urgente que nos organizemos e participemos civicamente para defender a liberdade de imprensa e exigir reformas que garantam a independência dos meios de comunicação. Precisamos formar jovens capazes de questionar, informar e resistir.

O país não precisa de um governo que tema a imprensa, mas de líderes que saibam ouvir, mesmo quando a verdade é incómoda. Silenciar a crítica é sinal de fraqueza, não de soberania.

Por: Jonas Mulato

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