Milhares de cidadãos manifestaram-se esta quarta-feira, 30, na capital do Burkina Faso, Ouagadougou, em apoio ao governo militar liderado pelo Capitão Ibrahim Traoré, na sequência de uma alegada tentativa de golpe de Estado e de duras críticas feitas por um general norte-americano.
A mobilização popular ocorreu dias depois de o regime burquinabê anunciar ter desmantelado uma “grande conspiração” que visava afastar o Capitão Traoré do poder. Segundo as autoridades militares, os supostos conspiradores estariam baseados na vizinha Costa do Marfim.
O clima político ficou ainda mais tenso após declarações do General Michael Langley, chefe do Comando dos EUA para África (AFRICOM), que acusou Traoré, durante uma audição no Senado norte-americano, de utilizar as reservas de ouro do país em benefício da junta militar, em prejuízo do povo.
Em reacção às acusações e à tentativa de desestabilização, uma multidão ocupou a histórica Place de la Révolution, no centro da capital, empunhando cartazes de apoio ao líder militar. “Viva o Capitão Traoré!” — gritavam os manifestantes, enquanto alguns exibiam imagens do General Langley com a palavra “escravo” escrita na testa com marcador vermelho. Também foram vistas bandeiras da Rússia e do Burkina Faso, evidenciando o reforço da aliança entre os dois países.
Entre os participantes, estava Ocibi Johann, músico local, que rejeitou as críticas vindas dos Estados Unidos. “Porque Colin Powell mentiu, o Iraque foi destruído. Barack Obama mentiu, Gaddafi foi morto. Mas desta vez, as mentiras deles não nos vão afectar. Não estamos contra eles — mas somos contra a pilhagem e a escravidão económica”, afirmou.
O Burkina Faso enfrenta uma crise política e de segurança desde 2022, marcada por sucessivos golpes militares, insurgência armada e crescentes tensões com potências ocidentais. O actual governo de transição liderado por Traoré tem procurado reforçar alianças alternativas, nomeadamente com Moscovo, numa estratégia que desafia o domínio tradicional do Ocidente na região.
