Realizou-se em Cabinda, de 14 a 16 de Abril, a Primeira Conferência Científica Internacional sobre as Florestas Tropicais da Bacia do Congo, sob o lema “Preservação da Biodiversidade e Combate à Desflorestação”. O evento juntou especialistas nacionais e internacionais, que abordaram estratégias para a conservação, protecção dos ecossistemas e mitigação das mudanças climáticas.
Durante os trabalhos, foi evidenciado o fraco controlo e monitoramento das florestas em Angola, considerado uma das principais ameaças à biodiversidade nacional. Em declarações à Rádio Correio da Kianda, o ambientalista Rafael Lucas apontou diversos factores que concorrem para este cenário, nomeadamente a falta de recursos técnicos e financeiros, a fraca articulação institucional, a escassez de dados científicos actualizados e a débil sensibilização e educação ambiental.
Segundo o especialista, esses desafios comprometem gravemente a capacidade do país em proteger os seus ecossistemas florestais. “A consequência directa é a perda de habitats naturais, o que reduz os espaços de sobrevivência, alimentação e reprodução das espécies vegetais e animais”, alertou. Lucas acrescentou que a degradação dos ecossistemas acelera a extinção de espécies endémicas, provoca o desequilíbrio das cadeias alimentares, favorece o aparecimento de espécies invasoras e intensifica a erosão dos solos, afectando o equilíbrio ecológico e a resiliência dos ecossistemas às alterações climáticas.
O ambientalista defendeu ainda a colaboração reforçada com organizações internacionais, sobretudo no apoio técnico e financeiro. Destacou a necessidade de tecnologias como drones, imagens de satélite e sistemas de monitoramento em tempo real, bem como a transferência de conhecimento científico através de parcerias com universidades e centros de investigação.
Lucas sublinhou igualmente a importância do empoderamento das comunidades locais, com projectos orientados à promoção de práticas sustentáveis e à gestão participativa dos recursos naturais. A criação de plataformas de partilha de dados ambientais foi também apontada como crucial para fortalecer a vigilância florestal e agilizar a tomada de decisões.
A conferência culminou com a adopção de medidas concretas para a preservação da biodiversidade, combate à desflorestação e resposta à crise climática na região da Bacia do Congo. Os participantes defenderam a criação de parcerias entre instituições nacionais e internacionais para o reforço da investigação científica, a capacitação comunitária e o investimento em cadeias de valor sustentáveis, com enfoque em produtos florestais não madeireiros.
A Conferência de Cabinda representa um marco relevante no posicionamento de Angola como actor regional empenhado na protecção das florestas tropicais e na construção de um futuro sustentável para a Bacia do Congo, considerada o segundo maior pulmão verde do planeta.
