Por que Angola não anda, nem desanda? – Ernesto Mulato

Um exercício sobre como se movem as sociedades, e Angola não pode ser uma excepção. Como surgiram ou se criaram as sociedades? Tudo remonta à origem do Homem, de Adão e Eva, passando pela Arca de Noé, Abraão, Isaac, Jacó e, na nossa era, Jesus de Nazaré. 

O Homem é teimoso! Mesmo com tantas experiências mostradas e demonstradas, continua a cometer os mesmos erros, a tentar reinventar o que já foi criado ou estabelecido na Magna Carta Universal, a Bíblia.

Jesus, vivendo na Palestina, inspirou a forma como as sociedades deveriam organizar-se e conviver, sempre dentro da sociabilidade de grupos sociais variados, com crenças, usos e costumes adaptados aos tempos e circunstâncias. É dentro dessa evolução que, ao longo dos séculos, surgiram diversas formas de convivência: do feudalismo à era industrial, do socialismo à democracia, do comunismo a tantas outras variantes, sempre na busca por uma melhor forma de vida social.

O século XX é o mais relevante para esta análise. Com ele, vieram muitos “ismos”: socialismo, capitalismo, imperialismo, marxismo, etc. Quando a maioria dos países africanos conquistou a independência, estava em vigor a Guerra Fria, dividindo o mundo em zonas de influência: o bloco socialista, liderado pelos russos, e o bloco ocidental, sob os americanos.

Dessa divisão surgiram os conceitos de reacionário e revolucionário, de direita e esquerda. Com o tempo, apareceram também a extrema-direita, a extrema-esquerda e o centro, todos componentes de movimentos sociais.

A distinção entre direita e esquerda remonta à Revolução Francesa de 1789, quando os apoiadores de mudanças radicais sentavam-se à esquerda do rei, enquanto os que defendiam apenas algumas reformas estavam à sua direita. A Revolução Francesa também viu a ascensão dos jacobinos e girondinos. Os jacobinos, liderados por Robespierre, eram radicais e buscavam mudanças profundas e rápidas, enquanto os girondinos eram mais moderados. Esse período culminou no “Terror”, com execuções em massa e instabilidade política. O mundo cresceu dentro dessa dinâmica, e os povos foram adaptando esses conceitos às suas realidades.

No caso de Angola, o problema fundamental reside no colonialismo, na forma como foi conduzida a descolonização e no papel das elites angolanas. A colonização portuguesa estruturou a sociedade em pelo menos três classes: o colono, o assimilado e o indígena. Alguns estudiosos consideram os mestiços uma quarta classe intermediária. As desigualdades entre esses grupos influenciaram a forma como o processo de descolonização ocorreu.

Embora Portugal tenha negociado a descolonização com os três principais movimentos de libertação (FNLA, MPLA e UNITA), a verdade é que, em novembro de 1974, já havia acordado em Argel que entregaria o poder ao MPLA, impedindo a realização de eleições e violando os Acordos de Alvor. A direcção do MPLA, sob Agostinho Neto, traiu o espírito desses acordos. Portugal tinha força militar suficiente para garantir a implementação dos Acordos de Alvor, e quem se atrevesse teria uma resposta, como demonstrado pelo General Almendra quando as FAPLA tentaram contestá-los.

As elites angolanas — na lógica marxista, a burguesia e o proletariado são as classes-chave para a revolução. Em colónias como Angola, essa divisão traduz-se na elite letrada. Quando os movimentos de libertação surgiram, muitos jovens angolanos já possuíam conhecimentos que lhes permitiam questionar o futuro do país. Assim, formaram-se três principais movimentos: UPA/FNLA, MPLA e UNITA.

A FNLA teve um papel crucial na luta de libertação, defendendo “Liberdade e Terra”. No entanto, o foco desta análise é entender por que Angola permanece em crise, mesmo após 23 anos de paz, e aqui a figura principal é o MPLA.

A Revolução Francesa é um exemplo relevante. Quando a monarquia caiu, os revolucionários jacobinos, inicialmente defensores do povo, passaram a oprimi-lo, instaurando um regime de terror entre 1793 e 1794. Esse período, conhecido como “Termidor”, trouxe as palavras de ordem: liberdade, igualdade e fraternidade — ora, três palavras-chave que depois começaram a ser violadas pelos seus autores. Agora veja-se até que ponto esses conceitos se aplicam à Angola de hoje.

Os partidos que lutaram pela independência ainda cumprem os seus propósitos originais? O governo do MPLA segue uma filosofia correcta ou reproduz os padrões denunciados por Viriato da Cruz? Em sua carta de 31 de Janeiro de 1963, Viriato alertava que certos grupos dentro do MPLA visavam apenas beneficiar-se do poder e formar novas castas privilegiadas, substituindo os colonizadores portugueses sem mudar a realidade das massas. Esse alerta está registrado em Um Amplo Movimento, vol. III (1963-1964), Itinerário do MPLA, através de documentos de Lúcio Lara.

A UNITA surgiu em 1966 com uma visão diferente, baseando-se no estudo de diversas experiências internacionais. O Presidente Fundador, Jonas Savimbi, defendia que um partido só deveria existir se tivesse uma ideia forte. Para ele, a pátria e a terra eram ideias fortes, precedendo qualquer ideologia política. O nacionalismo, para ser verdadeiro, deveria partir do amor às origens e ao próprio povo.

A UNITA entra em acção já com uma visão inovadora, fruto de estudos de diversas concepções de outras sociedades. O Presidente Fundador, abordando vários aspectos da criação da UNITA, declarou:

“Para se fundar um partido tem de haver uma ideia forte. A pátria é uma ideia forte, a terra é uma ideia forte. A ideia forte é anterior à ideologia política. Amar cada vez mais Angola, estudá-la, descobrir seus valores, acreditar no seu futuro – tudo isso representa uma ideologia forte, humana e mobilizadora.”

Ao longo de anos de luta e resistência, a direcção da UNITA foi forjando uma cultura própria de vida, convivência e vivência, que se resumiu na máxima: “Antes um método que uma ideologia.” Esse método seria capaz de conciliar as necessidades do Estado com as realidades específicas das sociedades africanas, impedindo a formação de um abismo entre as elites modernistas, muitas vezes ocidentalizadas, e as massas populares.

Jonas Savimbi afirmava, ainda, que a ideologia do partido deveria estar submissa às reais necessidades e aspirações do povo, rejeitando qualquer doutrina que se colocasse acima das demandas democraticamente verificadas. Essa posição está registrada no livro Jonas Savimbi, Une autre voie pour l’Afrique, do jornalista francês Jean-Marc Kalfléche.

O papel dos movimentos de libertação, hoje partidos políticos, está a ser cumprido? Ou foram corrompidos pelas vantagens do poder? A experiência mundial mostra que, quando um partido se mantém no poder por muito tempo sem renovação democrática, torna-se autoritário e distante dos anseios do povo.

O MPLA está há décadas no poder, e as promessas de desenvolvimento, justiça e igualdade continuam a ser adiadas. A corrupção, o nepotismo e a má gestão dos recursos nacionais perpetuam um ciclo de pobreza e desigualdade. Se as elites que conduzem o país não priorizarem reformas estruturais e uma verdadeira democratização, Angola continuará estagnada.

Como se poderá depreender de tudo narrado, não há discussão de ideologia dentro da UNITA, apenas a necessidade de conscientizar o povo angolano de que chegou o momento de mudar. Em 2027, é fundamental votar massivamente na UNITA para iniciar uma nova era na governação do país, baseada em justiça social e progresso real para todos.

 

BEM HAJA, ANGOLA. PAZ E ALEGRIA.

Por: Ernesto Mulato

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