Os deputados da Renamo e do MDM não vão tomar posse, o anúncio foi feito este fim-de-semana pelas comissões políticas dos partidos da oposição. A tomada de posse do novo parlamento está marcada para esta segunda-feira, 13 de Janeiro.
O partido RENAMO, até agora a maior força da oposição em Moçambique, anunciou este domingo que os seus deputados não vão tomar posse, amanhã, na Assembleia da República.
Diz o partido que “é preciso respeitar a vontade do povo” e volta a apelar a novas “eleições livres, justas e transparentes ”. A posição da RENAMO foi comunicada aos jornalistas por Marcial Macome, porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana.
O partido Renamo entende que esta cerimónia está desprovida de qualquer valor solene e, por isso, constitui um ultraje social e desrespeito à vontade dos moçambicanos, pelo que não fará parte desta cerimónia de tomada de posse.
O partido Renamo entende que é preciso respeitar a vontade do povo e a vontade do povo passa necessariamente pela realização de eleições livres, justas e transparentes e não em eleições administrativas.
A Renamo responde pelas acções da Renamo e a Renamo neste momento diz que não vai tomar posse.
A Renamo não reconhece ninguém que tenha saído destes resultados.
Também o Movimento Democratico de Moçambique, quarta maior força política do país de acordo com a configuração do novo parlamento, anunciou que os seus deputados não vão tomar posse amanhã, segunda-feira, 13 de Janeiro, na Assembleia da República.
A decisão saiu da reunião da comissão política do partido, reunida em sessão extraordinária ontem e confirmada pelo porta-voz Ismael Nhacucue, que garante que o MDM está “alinhado com o povo na luta pela verdade eleitoral”.
Esteve reunida a Comissão Política Nacional do partido ontem [11 de Janeiro] e deliberou pela não tomada de posse dos oito deputados do MDM até a situação política estabilizar.
O povo moçambicano continua a dizer que não votou na Frelimo para ter esta maioria e o MDM desde o início sempre negou estes resultados.
Estes são os fundamentos que levaram o partido a decidir pela não tomada de posse, para estar alinhado com o povo nesta luta pela verdade eleitoral.
De acordo com os resultados proclamados pelo Conselho Constitucional, a Assembleia da República passa a ter quatro partidos representados, contra os actuais três.
A Frelimo (poder) venceu as eleições para o parlamento moçambicano com maioria absoluta, garantindo 171 deputados, apesar de ter menos 13 lugares que actualmente.
A liderar a oposição passa agora a estar o partido Podemos (Partido Otimista para o Desenvolvimento de Moçambique ) que elegeu 43 deputados. O partido, até agora extraparlamentar, apoiou a candidatura presidencial de Venâncio Mondlane, que ficou em segundo lugar, de acordo com os resultados proclamados pelo Conselho Constitucional.
A Renamo perde a liderança da oposição e fica-se pelos 28 deputados, contra os actuais 60.
O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) mantém a representação parlamentar passando a contar com oito deputados, mais dois do que actualmente.
