A 11 de Novembro de 1975 proclamou-se a independência de Angola. Os privilegiados do regime colonial desgostaram. Torceram o nariz. Puseram-se contra. Arregimentaram apoios para destruir o jovem Estado. O País foi invadido militarmente pelo norte e pelo sul.Todo mundo sabe por quem e por quê. O MPLA foi a Pessoa Colectiva que proclamou a Independência nacional. Angola estava frágil. Estava por sua conta. E risco também! O partido no poder viu-se na contingência de clamar por apoio. Gritar por socorro! Cuba prontificou-se a ajudar. Mas a ajuda era insuficiente. A independência estava tremida. Ameaçada! Era preciso defendê-la. A ferro e fogo!
As Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) eram o braço armado do MPLA. O seu efectivo era pequeno. Era pequeno para manter a segurança de uma extensão de 1.246. 700 km2 e defender o seu povo. Era pouco FAPLA para muita barafunda. O presidente do MPLA e da República Popular de Angola (RPA) lançou o mote: “Estamos em guerra e cada cidadão é e deve sentir-se necessariamente um soldado!”. Agostinho Neto apelou. O povo respondeu ao apelo em massa e sem pestanejar. Cada esquina dos bairros periféricos virou uma trincheira. Um reduto de resistência. Travou-se com sucesso a aventura de quem pretendia acabar com a soberania nacional.
Depois seguiram-se as guerras para manutenção da integridade territorial e contra a rebelião armada pós-eleições 1992. Terminaram a 22 de Fevereiro de 2002. Os efectivos das FAA e agentes da Polícia Nacional desmobilizados levaram as armas para casa. Houve um descontrolo total. Hoje em casa de cada angolano há sempre uma Kalashinikov enterrada no quintal ou debaixo da cama. No telhado de casa ou na gaveta de um móvel do cómodo dos fundos de casa. Uma espécie de democracia de armas na mão.
Daí a excessiva e descontrolada proliferação de armas de fogo em Angola. É mais fácil comprar uma arma do que pão nas principais cidades capitais do País. As armas são os principais instrumentos de trabalho daqueles que optaram pelo “lado certo da vida errada”: O mundo do crime! Os quadrilheiros alugam armas a agentes da Polícia, efectivos das FAA e agentes de empresas de segurança privada.
Poucos anos depois do final da guerra, o Executivo lançou uma campanha para o desarmamento da população. Foram investidos milhões de dólares. O seu coordenador era o então vice-presidente da República, Fernando da Piedade Dias dos Santos. A campanha foi inconclusiva. Ninguém pediu contas. Nunca mais se falou dela. De lá para cá, o número de armas de fogo nas ruas de Luanda e das principais cidades do País aumentou exponencial e assustadoramente. Basta olhar para o número e o tipo de delitos que ocorrem debaixo do nosso sol político.
