Ndinga de Deus, dirigente da UNITA em França, se pronunciou sobre o discurso do presidente João Lourenço durante a abertura do 8º Congresso Extraordinário do MPLA. Lourenço havia expressado preocupação pela captura de reféns israelitas pelo Hamas, o que gerou uma reação de Ndinga.
Em sua declaração, Ndinga de Deus questionou a postura do presidente angolano, afirmando que, enquanto Lourenço se manifesta sobre a situação internacional, mantém em Angola a prisão de cidadãos que criticam seu governo. “O presidente manifestou preocupação pela captura de reféns israelitas, mas ao mesmo tempo, jovens angolanos que se opõem à sua administração enfrentam prisão”, afirmou o dirigente.
Ele também destacou que a situação interna em Angola continua a ser marcada pela presença de presos políticos, indivíduos que, segundo ele, foram detidos por expressarem suas opiniões contrárias à atual gestão.
Além disso, Ndinga de Deus criticou o apelo de João Lourenço pela libertação dos reféns israelitas e pelo fim do conflito entre Israel e Palestina. Segundo Ndinga, tal posição reflete, em sua visão, uma contradição entre as palavras do presidente e as práticas internas de seu governo, que, segundo ele, tem limitado a liberdade de expressão e perseguido opositores políticos.
Em relação a João Lourenço, Ndinga afirmou que o presidente não tem proporcionado um ambiente de paz e democracia no país, citando a perseguição a ativistas e figuras da oposição, como o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, que, segundo ele, foi impedido de participar de canais de comunicação governamentais.
Por fim, Ndinga concluiu que a situação política em Angola não condiz com o discurso de paz e liberdade que, segundo ele, o presidente deseja ver em outros países.
