Entre 13 e 17 de Novembro, pelo menos 25 pessoas morreram e outras 26 foram baleadas, nos protestos contra os resultados das eleições gerais em Moçambique. Os dados foram actualizados, esta segunda-feira, pela plataforma eleitoral Decide.
Os protestos continuam em Moçambique. Ao longo do fim-de-semana, à noite, manteve-se o chamado “panelaço”, com o som das panelas, batuques, vuvuzelas e buzinas a ecoarem, por exemplo, em Maputo.
Esta terça-feira, o candidato presidencial Venâncio Mondlane vai anunciar novas formas de contestação aos resultados das eleições gerais de 09 de Outubro, quase um mês depois de ter começado a mobilizar a população para sair às ruas, no seguimento do assassínio do advogado Elvino Dias e do mandatário do Podemos, Paulo Guambe, a 19 de Outubro e da repressão policial durante as manifestações.
As organizações da sociedade civil continuam a alertar para a repressão policial nas manifestações e a contar o número de mortes, baleamentos e detenções. Durante a quarta etapa dos protestos convocados por Venâncio Mondlane, entre 13 e 17 de Novembro, pelo menos 25 pessoas morreram e outras 26 foram baleadas em cinco províncias moçambicanas. Os dados foram actualizados, esta segunda-feira, pela plataforma eleitoral Decide.
Num dos protestos, na Avenida Eduardo Mondlane, em Maputo, Paulo Dercílio foi atingido por seis balas da polícia, mas só lhe puderam retirar três. “Vivo com três balas dentro do meu corpo. Estou com dificuldades imensas para sentar, quando tento dobrar a coluna sinto dores imensas. Eu sou electrotécnico e os nossos trabalhos exijam que me mova. O meu trabalho está comprometido”, contou à RFI.
A Associação dos Enfermeiros de Moçambique tenta ajudar as vítimas como pode, indicou o seu presidente Raúl Piloto, sublinhando que apesar das sequelas, as pessoas não se arrependem de terem ido manifestar. “Psicologicamente, alguns estão revoltados mas nenhum dos pacientes está arrependido de ter manifestado”, sublinhou.
Este domingo, na cimeira de líderes do G20, no Rio de Janeiro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu contenção por parte das autoridades moçambicanas e que seja possível a “expressão das diversas opiniões”. In RFI
