Moçambique: Ministro justificou restrições na internet para impedir “destruição” do país

O ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, Mateus Magala, admitiu que houve restrições à internet que resultaram da própria acção dos operadores e que o objectivo era impedir que a internet fosse utilizada para “destruir o país”.

Em declarações aos jornalistas, este domingo, o ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, Mateus Magala, admitiu que houve restrições de internet e que foram justificadas pela necessidade de se evitar a propagação de mensagens e vídeos de incitação à violência durante as manifestações contra os resultados das eleições gerais de 09 de Outubro.

“Certamente sem infraestruturas não podemos ter internet. Portanto, é uma combinação de muitos factores: a destruição de infraestruturas, mas também a segurança dos próprios operadores, que têm de operar num ambiente de segurança; também a responsabilidade civil dos operadores quando veem que a internet está a ser usada para destruir o país, certamente eles próprios tomaram medidas para prevenir que a internet seja um bem colectivo e não um mal usado para destruir o nosso país”, declarou o ministro.

Durante praticamente duas semanas, o acesso à Internet, nomeadamente redes sociais e WhatsApp, esteve limitado, sendo estes os habituais meios para convocação e divulgação de manifestações.

Mateus Magala apelou à população “para pautar pelo civismo e a protecção das infraestruturas de transportes e comunicações”, para que “não haja a interrupção” desses serviços no país e disse que o executivo está a fazer contas aos estragos que também afectaram o sector dos transportes.

“Vamos fazer os levantamentos das vandalizações aos transportes públicos, esperamos que, nos próximos tempos, possamos vir com os números”, disse.

Desde sexta-feira, Moçambique regista calma nas manifestações contra os resultados eleitorais e a internet voltou a funcionar.

Ao longo de duas semanas praticamente, o país viveu ao ritmo de manifestações contra os resultados das eleições gerais de 09 de Outubro anunciados pela Comissão Nacional de Eleições, que devam a vitória presidencial a Daniel Chapo, candidato da Frelimo, partido no poder, com 70,67% dos votos, enquanto Venâncio Mondlane, apoiado pelo Podemos, aparecia em segundo lugar, com 20,32%. Mondlane não reconheceu os resultados – que ainda têm de ser validados e proclamados pelo Conselho Constitucional – e convocou os protestos através das redes sociais já que se encontra “em parte incerta” porque diz correr risco de vida.

Após protestos nas ruas que paralisaram o país no dia 21 de Outubro [contra o duplo homicídio de Elvino Dias e de Paulo Guambe, apoiantes de Mondlane] e nos dias 24 e 25 de Outubro, Mondlane convocou novamente a população para uma paralisação geral de uma semana, de 31 de Outubro a 07 de Novembro, culminando com uma jornada de protestos na capital, com a polícia a disparar tiros e gás lacrimogéneo. De acordo com a Plataforma Decide, que monitorizou todo o processo eleitoral, houve, pelo menos, cinco pessoas que morreram vítimas de baleamentos no dia 07 de Novembro em todo o país.

Entretanto, Venâncio Mondlane anunciou que as manifestações de protesto são para manter até que seja reposta a verdade eleitoral. In RFI

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