Unidade é o único caminho para Moçambique”, afirma Venâncio Mondlane em entrevista à CNN

Em entrevista à CNN, Venâncio Mondlane, reafirmou sua proposta de formar um governo de unidade nacional, baseado na meritocracia e na inclusão de diferentes forças políticas e sociais. Mondlane destacou que, caso seja eleito, pretende constituir um governo que não seja fragmentado por ideologias partidárias, mas sim focado nas competências e na credibilidade das pessoas, independentemente de sua afiliação política ou religiosa.

“O governo de unidade deve ser realmente de unidade, sem fragmentação. Não é uma questão que surge apenas devido a crises atuais, mas sempre defendi essa ideia no meu manifesto eleitoral e ao longo de toda a minha campanha“, afirmou Mondlane. Segundo ele, a inclusão de membros da Frelimo, partido governante e seu principal adversário, não está descartada, desde que esses indivíduos sejam competentes e íntegros. “Mesmo dentro da Frelimo, há pessoas qualificadas e capazes de contribuir para a gestão do país”, acrescentou.

Para Mondlane, a constituição de um governo que priorize a meritocracia é essencial para superar a atual situação de pobreza e instabilidade que afeta Moçambique. “Nos últimos 10 anos, a pobreza aumentou 87%, afetando mais de metade da população. Isso é insustentável”, disse, apontando também os problemas relacionados à dívida oculta, que totaliza cerca de 3 mil milhões de dólares e que foi parcialmente responsável por uma série de crises políticas e judiciais no país.

Ele defendeu que um governo de unidade nacional, inclusivo e transversal, é essencial para impulsionar o desenvolvimento de Moçambique. “Se não conseguirmos essa união, será difícil tirar o país da situação de pobreza em que se encontra. Moçambique tem as condições necessárias para, em 10 anos, estar entre as 50 ou 70 nações mais prósperas do mundo“, afirmou Mondlane, demonstrando uma visão otimista sobre o futuro do país.

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Quando questionado sobre as manifestações em curso e os riscos de um conflito armado no país, Mondlane foi claro em sua postura pacífica. “Não temos interesse em resolver nada por vias armadas. Estamos totalmente comprometidos com uma abordagem civil, baseada em ideias e propostas alternativas para o futuro de Moçambique“, garantiu. Ele reforçou que as manifestações organizadas por seu movimento são sempre pacíficas e lembrou que, recentemente, cerca de 1,5 milhão de pessoas se manifestaram em Maputo sem recorrer à violência ou a armas. “Os nossos protestos são legítimos e baseados no direito constitucional de nos opormos a ordens ilegais”, explicou.

Em relação às manifestações econômicas que têm ocorrido, Mondlane enfatizou que o objetivo é sensibilizar a população e pressionar por mudanças, sem forçar ninguém a participar. “Não obrigamos ninguém a aderir às nossas marchas. O que fazemos é passar uma mensagem, como aconteceu na estrada de Garcia, onde motoristas de camiões moçambicanos e sul-africanos, ao entenderem a nossa mensagem, decidiram parar por conta própria“, afirmou.

Para Mondlane, a solução para Moçambique passa pela união de todos os setores da sociedade, sem exclusão de qualquer força política ou social. “Queremos construir um país próspero, e a única forma de isso acontecer é trabalhando juntos, em torno de um projeto de nação inclusivo e sustentável“, concluiu.

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