O primeiro-ministro, Adriano Maleiane, declarou que “as manifestações devem cessar” e alertou para os riscos para a economia e para as famílias. Moçambique está a viver a “terceira fase” dos protestos contra os resultados anunciados das eleições gerais de 9 de Outubro. Venâncio Mondlane, o candidato presidencial apoiado pelo Podemos, apelou a uma greve geral e manifestações entre 31 de Outubro e 7 de Novembro, dia em que espera uma mega-concentração na capital e em que promete participar.
Num momento em que Moçambique vive manifestações um pouco por todo o país contra os resultados das eleições gerais anunciados pela Comissão Nacional de Eleiçoes, o primeiro-ministro, Adriano Maleiane, apelou, esta segunda-feira, ao regresso ao trabalho.
“Cada dia que nós não trabalhamos, a economia vai sofrendo e, se continuarmos assim, por exemplo, a discussão dentro de uma semana já não seria o problema de eleições, seria o problema da fome”, disse Adriano Maleiane.
O chefe de Governo pede a cessação dos protestos e apela ao diálogo.
“A minha sugestão é: vamos dar tempo para o Conselho Constitucional terminar, todas as manifestações devem parar. Eu penso que podem esperar só um bocadinho para terminar este processo de eleições. É a nossa cultura, o diálogo”, acrescentou.
O candidato presidencial apoiado pelo Podemos, Venâncio Mondlane, apelou a uma greve geral e manifestações durante uma semana em Moçambique, entre 31 de Outubro e 7 de Novembro, dia em que espera uma mega-concentração na capital para manifestar contra os resultados anunciados das eleições gerais de 9 de Outubro. Venâncio Mondlane designou esta como a terceira etapa da contestação aos resultados anunciados pela CNE. Esta fase segue-se aos protestos realizados nos dias 21, 24 e 25 de Outubro, na sequência do duplo homicídio de dois apoiantes, o advogado Elvino Dias e o docente Paulo Guambe, mortos a tiro numa emboscada em Maputo na noite de 18 de Outubro.
No dia 28 de Outubro, a Polícia da República de Moçambique anunciou que abriu um processo-crime contra Venâncio Mondlane pela escalada de violência pós-eleitoral no país. Mondlane tem convocado os protestos através de “lives” no Facebook, encontra-se “em parte incerta”, diz correr risco de vida, mas promete juntar-se à concentração de 7 de Novembro em Maputo.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Moçambique anunciou, a 24 de Outubro, a vitória presidencial de Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo, com 70,67% dos votos. Venâncio Mondlane teria ficado em segundo lugar, com 20,32%. O candidato não reconhece estes resultados, que ainda têm de ser validados e proclamados pelo Conselho Constitucional. Na terceira posição da eleição presidencial, de acordo com a CNE, ficou Ossufo Momade, presidente da Renamo, com 5,81%, seguido de Lutero Simango, presidente do MDM, com 3,21%. Ossufo Momade também disse que não reconhece os resultados eleitorais anunciados e pediu a anulação da votação. Lutero Simango recusou igualmente os resultados, considerando que foram “forjados na secretaria” e prometeu uma “acção política e jurídica” para repor a “vontade popular”.
Ainda segundo o anúncio da CNE, a Frelimo reforçou a maioria parlamentar, passando de 184 para 195 deputados (em 250), e elegeu todos os 10 governadores provinciais do país. O até agora extraparlamentar Podemos elegeu 31 deputados, destronando a Renamo na liderança da oposição, uma vez que caiu de 60 para 20 deputados. O MDM mantém a representação parlamentar, mas viu o total de deputados cair de seis para quatro.
A Plataforma da Sociedade Civil para Monitoria Eleitoral Decide e a Rede dos Jovens Defensores dos Direitos Humanos instaram, esta semana, a comunidade internacional a “condenar a violência policial e o uso de balas reais para dispersar os manifestantes”. Estas organizações da sociedade civil moçambicana têm estado a monitorar os protestos e a ajudar manifestantes que tenham sido detidos, depois de terem também observado as eleições gerais de 9 de Outubro. Elas dão conta que depois do anúncio dos resultados pela Comissão Nacional de Eleições, nos protestos de 24 e 25 de Outubro “a polícia disparou sobre mais de 30 pessoas, 11 das quais morreram”, tendo sido usadas “balas reais e presas “arbitrariamente cerca de 500 pessoas”.
Entretanto, as organizações da sociedade civil CIP e CDD estimam que nos confrontos dos últimos dias morreram pelo menos nove pessoas nas províncias de Nampula e Zambézia em confrontos com a polícia. Esta segunda-feira, o Hospital Central de Maputo, maior unidade do país, anunciou que pelo menos 11 pessoas ficaram feridas durante confrontos entre manifestantes e polícia ocorridos desde o dia 31 [de Outubro] até domingo [3 de Novembro]. In RFI
