O recente discurso do Presidente João Lourenço na Assembleia Geral da ONU peca por não trazer à tona os reais desafios internos que afligem a população angolana.
Enquanto Angola enfrenta sérias dificuldades económicas, sociais e estruturais, o Presidente parece mais focado em buscar um prestígio internacional que está longe de refletir a realidade do nosso povo. Não queremos viver de aparências, mas sim de mudanças palpáveis que melhorem a qualidade de vida dos angolanos.
É também de se questionar a posição do Presidente sobre a fome. Afinal, existe ou não? Hora ele afirma que “a fome é relativa”, mas agora, no maior palco global, pede que as Nações Unidas influenciem na erradicação da fome. Essa contradição só confunde e mostra o distanciamento entre a retórica e a realidade enfrentada por milhões de angolanos que vivem em extrema pobreza.
A luta contra a corrupção, que poderia ser um ponto alto do discurso, soou incoerente. O Presidente trouxe esse tema à tona, mas na prática, o que vemos é uma falta de transparência na governação. A substituição dos concursos públicos por processos de contratação simplificada e adjudicação directa demonstra claramente um retrocesso. Não há como falar de combate à corrupção enquanto se promove a opacidade na gestão pública.
Em geral, o discurso não trouxe nada de novo ou transformador para o povo angolano. É preciso reconhecer que a solução para os nossos problemas não virá de fora, mas de nós, os angolanos. E esses espaços de debate internacional devem ser utilizados para propôr caminhos concretos que melhorem as vidas de quem mais sofre com a crise no país.
Por Jonas Mulato
Secretário Nacional Para às Relações Internacionais da JURA
