A publicação da nova lei do sector segurador acompanhada de normas regulamentares – que estão num processo de execução – aumenta a crença dos operadores do mercado de que o ano de 2023 será de desafios e oportunidades que vão resultar no crescimento do sector.
Existe bastante optimismo no sector segurador face ano que agora se inicia, perspectivando crescimentos acima da inflação. A administradora executiva da Nossa Seguros, Cristina Nascimento, acredita que apesar da conjuntura económica recessiva a nível global devido à invasão da Ucrânia pela Rússia e do ressurgimento da pandemia na Ásia, haverá crescimento da economia angolana, no geral, e do sector segurador, em particular. Refere que a persistência na actuação do Governo na diversificação da economia e o combate à inflação vai dar ao sector um potencial de crescimento que causará uma oferta mais competitiva, maior retorno para todos, apesar de se esperar uma maior competitividade entre os operadores, que pode ter reflexos nos preços.
Paulo Bracons, que dirigiu várias seguradoras no nosso mercado e hoje é consultor, espera que o crescimento do sector seja com taxas acima da inflação, o que nem sempre se verificou nos últimos anos. Explica também ao Expansão que o grande desafio do sector em 2023 será a implementação do novo regime jurídico, a partir das normas da ARSEG. Lembra que esta implementação tem de ser executada de uma forma profissional que implica que, quer o regulador quer as seguradoras, trabalhem em articulação e afincadamente.
“Um segundo grande desafio tem a ver com a dinâmica que deve ser dada ao ramo vida, que nos mercados maduros representa mais de 50% (produtos financeiros e de poupança incluídos) do volume de negócios e em Angola não chega aos 3%. Um terceiro desafio tem a ver com a necessidade de uma maior dinâmica na gestão das redes de distribuição de seguros, em particular ao nível das redes de agentes, com um maior foco no retalho / particulares e PMEs”, acrescenta.
A este propósito recorde-se que a nova lei da Mediação está praticamente pronta, devendo no I semestre ser aprovada na Assembleia Nacional. Sobre os preços das apólices, Paulo Bracons avança que teoricamente será necessário algum ajustamento dos valores, em particular nos ramos automóvel, acidentes de trabalho e saúde, em que verificaram aumentos de sinistralidade durante o ano passado. Para elevar a taxa de penetração, além da fiscalização dos seguros obrigatórios, o especialista aponta recrutamento ou formação, desenvolvimento de novos produtos e dinamização dos seguros de vida
Mediação
Com a publicação da nova lei de Mediação, o especialista em seguros Gabriel Canguenza acredita que haverá também uma revolução no sector da mediação, do corrector, permitindo a entrada de novos players no mercado, nomeadamente os mediadores para o fundo de pensões, que será uma novidade, e a separação do ramo Vida e Não Vida, o que dará maior valorização ao seguro Vida. Para poder crescer muito acima dos 3% que representa hoje nesta actividade.
Para o consultor de seguros Pascoal Diogo, 2023 será o ano de um novo paradigma. O desafio e a adaptação das seguradoras à nova legislação, sendo que estas devem estar preparadas para cumprir na íntegra com os preceitos do novo quadro legal, com capital humano capaz e sistemas informáticos adaptados e eficientes. Mas existem outros factores que é necessário olhar com bastante atenção – compliance funcional, gestão de risco, auditoria interna e externa funcionais, centro de reclamações de clientes em funcionamento, IOPS a serem entregues na ARSEG dentro dos prazos, impostos a serem pagos à AGT dentro dos tempos estabelecidos legalmente, pagamento da percentagem legal para o FGA sobre cada apólice emitida do RCO e melhoramento da relação entre a ASAN, a ARSEG e outras associações do sector.
“Os principais desafios para 2023 passam também pela implementação eficaz e eficiente dos micro -seguros, do Novo Plano de Contas com base no modelo internacional das IFRS, o melhoramento da interacção e relação de todas entidades que contribuem positivamente para o crescimento do sector segurador em Angola, onde o Estado deve ser o ente promotor e auxiliador deste desafio, com dinâmicas concretas de supervisão, coordenação e fiscalização através do Ministério das Finanças e coadjuvado com a ARSEG”, resume.
Fonte: Jornal Expansão