Piorar o pior e brincar a desgovernar – Jorge Eurico

País está a cair aos pedaços. Está a ser desmontado. Pedra por pedra. Tudo o que (não) tinha de bom está a ser arrasado. A correção do que (não) estava mal, está a piorar. O ensaio de melhorar o que estava mal, está péssimo. Muito mau mesmo. Antes de 2017, o País tinha os seus problemas. Não eram poucos. A vida não era fácil. Mas depois de 2017 para cá, os problemas multiplicaram-se. Em toda linha. Em toda ordem. No domínio político e econômico. Social e cultural. Angola vai precisar da “Rosa dos Ventos” a partir de 2027. Vai precisar de se reorientar. Vai precisar de uma bússola para sua reorientação.

Permitam-me dar público o seguinte testemunho: Acreditei religiosamente em tudo que João Lourenço prometeu aos angolanos na Praça da República em 2017, aquando do seu empossamento no cargo de chefe de Estado. E como eu, há muitos. Fomos todos embarrigados. Nada do que se disse naquele discurso que fez nascer em alguns de nós uma certa “paixão de carnaval” política foi cumprido. Não se sabe se João Lourenço nunca pretendeu cumprir tudo o que prometeu naquela época ou se foi travado pelo Sistema de que sempre fez parte. Não se sabe se João Lourenço ficou com medo de transformar Angola para melhor. Não se sabe se tratou-se ou não de poltronaria da sua parte. O que se sabe é que a desilusão é grande. Não há coração para tamanho desencanto.

A Liberdade de Imprensa regrediu. Muito! Nunca se viu tanta incompetência no sector da Comunicação Social como agora. A Justiça virou instrumento político do Executivo. Os magistrados judiciais e do Ministério Público viraram “capangas” do Presidente da República. A corrupção passiva e activa campeia nesse sector de importância capital para a democracia e um País justo e harmonioso.

O Ministério do Interior está a “apanhar do ar”. Os delinquentes estão a levar a melhor. Nunca se viu tantos assaltos e mortes nas ruas de Luanda e à luz do dia como nos dias de hoje. Agora há um novo elemento na equação da criminalidade: os raptos! A criminalidade deu à volta à Segurança Pública. Os tribunos no Hemiciclo limitam-se a conjugar o verbo encher no Presente do Indicativo. Não fazem jus a uma das suas principais obrigações: a de fiscalizar as acções do Executivo. O Governo faz do Parlamento a “Casa da Mãe Joana”. Faz dos deputados “gato-sapato”. A maior parte dos deputados trata por chefe o Titular do Poder Executivo. Treme que nem varas verdes quando diante de um ministro.

O País já esteve bom. Mas nunca esteve bem. De 1975 a 2017. Mas hoje está pior. Nunca se viu tanta valorização da incompetência como agora. Jamais se viu tanta gente incompetente e arrogante como agora. Nunca se apostou tanto na empáfia como agora. É preciso parar de promover a incompetência e os seus agentes para os aparelhos do Estado e do Governo. Governar um País é coisa séria.

Os angolanos não podem continuar a ser alvo da inaptidão de quem desconhece o “Princípio de Peter” ou a “Pirâmide de Maslow”. Que se pare de tratar os cidadãos como manada. Qualquer dia a “ira do povo angolano” abater-se-á de forma violenta contra quem julga que o Governo é uma instituição onde se vai para brincar de trabalhar ou experimentar de trabalhar. Sobretudo para aqueles que saem directamente da Universidade para o Executivo e têm no Governo o seu primeiro emprego. As acções praticadas pelo Governo mexem com a vida das pessoas. Governar é coisa séria. Que se pare de brincar de governar, meus senhores! I

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