O Jornalismo é um exercício permanentemente de contrapoder. É um pilar imanente da Democracia. Os “maniqueus de serviço” (adeptos do maniqueísmo) em Angola estão aquém de perceber qual é, de facto, o papel do Jornalismo e dos jornalistas numa Sociedade. É um perigo! E o perigo é ainda maior quando o Poder Político distorce – de forma propositada, dolosa e perversa – a vocação do Jornalismo e dos seus profissionais.
É um acto pernicioso quando se induz os cidadãos mais incautos a pensarem que o jornalista que tece críticas sobre os actos do Executivo e os seus agentes faz o coro da oposição política e está nas suas hostes. Está errado! Que o Jornalismo está, sobretudo, para fazer loas ao Governo. Está errado!
Ora, isto só acontece em sociedades onde o grau de literacia cívico-política é razo. Quando há espaço para isso é porque o País é apatético. Situações do gênero abrem uma autoestrada para a apatia cívica e sedimentam a cultura do medo. Faz com que os cidadãos se engajem menos nos processos democráticos. Inibem os cidadãos a participar de debates públicos ou mesmo a votar de forma tranquila e consciente.
Os políticos angolanos precisam de se elevar. De se deixar de manipular. Em Angola quando um jornalista crítica as acções do Titular do Poder Executivo (TPE) e dos seus auxiliares, rotulam-no como crítico com o fito o de desacreditá-lo. Só da conta quem percebe de política e técnicas de manipulação de massas. Abram o olho!
O papel do Jornalismo e dos jornalistas é o de fiscalizar os poderes públicos, objectivando garantir a transparência e responsabilidade dos governantes. Sem Jornalismo e jornalistas que cumpram cabalmente a sua função, a corrupção e os abusos aumentam. É o que assistimos em Angola. Sem Jornalismo e jornalistas a cumprirem a sua missão, não há democracia. O Estado de direito não se solidifica. Pode haver tudo no País, mas menos liberdade. A falta de liberdade viabiliza o medo e as trevas políticas. É assim em toda parte do mundo.
Os jornalistas, em Angola, não têm de ser nem da UNITA nem do MPLA. Têm de ser jornalistas. Aqueles que se assumem jornalistas e, ao mesmo tempo, militantes de partidos políticos são uma vergonha para o Jornalismo e um perigo para a democracia.
Podem ser tudo, mas menos jornalistas. São comissários políticos no Jornalismo angolano. Estes a deveriam ser expurgados do Jornalismo. Mas isso só irá acontecer quando o(s) careca(s) deixar(em) de dominar o Poder do Quarto e o Jornalismo passar a ser verdadeiramente o Quarto Poder.
