“David Boio, um empresário que investiu na Democracia e deu-se mal” – Ilídio Manuel

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David Boio é um jovem empresário angolano com investimentos na área do ensino superior e numa empresa de produção de eventos. Embora seja detentor de um Mestrado em Sociologia por uma universidade de Portugal, país onde se licenciou, ele gosta de navegar em várias áreas do saber, sobretudo no ramo do jornalismo e do debate de ideias.
Com as devidas distâncias, se fosse em Portugal dir-se-ia que é um «pequeno» Belmiro de Azevedo, de feliz memória, ou Francisco Balsemão, dois magnatas que investiram em empresas de comunicação social, que são detentoras de títulos como os prestigiados jornais o Público e Expresso, e da TV SIC.
Trata-se de investimentos de grande risco, sobretudo dos jornais, já que estes não dão lucros, pior ainda em Angola onde há pouco investimento em publicidade. Daí que poucos arriscam INVESTIR EM DEMOCRACIA.
Presumo que a vivência de Boio em terras abriu-lhe o horizonte para a melhor reflexão dos problemas sociais, no sentido de não ater-se apenas à sociologia, mas também a projectar o conhecimento para outras áreas do saber e apostar na promoção do debate livre, plural e sem tabus.
Criador e ousado, ele projectou a criação da sua empresa Planalto Digital, que engloba o canal Camunda News, de que é proprietário. Deu emprego a quase duas dezenas de jovens, alguns dos quais saídos das universidades, sem experiência no ramo do jornalismo. Para a maior parte deles, foi uma das poucas oportunidades oferecidas aos jovens que procuram abraçar o primeiro emprego. Eram jovens empenhados que gostavam de fazer o que faziam- e bem- que agora correm o sério risco de serem atirados para as sarjetas do desemprego.
Goste-se dele ou não, o Boio, que, curiosamente, nunca fez jornalismo é um «pensador e visionário», que trouxe uma nova roupagem ao nosso panorama mediático digital, procurando que a sua CN fosse uma fonte alternativa de informação, plural e inclusiva, promotora de debates entre os mais diversos segmentos políticos, dando voz aos excluídos pela imprensa governamentalizada, sobretudo os membros afectos aos partidos da Oposição e da chamada sociedade civil.
A determinada altura, ele convidou-me para que chefiasse a Redacção do seu Canal, o que não foi possível devido a determinados compromissos profissionais que já tinha firmado. Aceitei ser apenas colaborador.
Foi dele que nasceu a ideia de fazer um programa de entrevistas a figuras políticas e de outras que se têm destacado em áreas distintas na sociedade. Foi um grande desafio para mim, uma experiência nunca antes vivida, já que sou mais um escriba do que homem do verbo.
Entrevistei os presidentes de quase todos os presidentes partidos, à excepção de JLo e Bela Malaquias. Tive como convidados, juristas, jornalistas, escritores, economistas, deputados, sindicalistas, etc.
Em decorrência dos vários «apertos» que a CN foi sofrendo pelo SIC e arredores, o Boio não teve outra saída, senão suspender o meu programa de entrevistas, até que a «poeira assentasse»…
Em boa verdade, a poeira nunca viria assentar, pelo contrário elevou-se mais alto aos céus, ao ponto de quase inviabilizar um projecto jornalístico que tinha tudo para dar certo, para dar o primeiro emprego àqueles dezenas jovens que se entregavam de corpo e alma ao projecto.
David Boio está hoje a pagar o preço de ter tido a ousadia de apostar num projecto de informação alternativo, isento, plural e inclusivo que não faz parte das pautas das TPA´s… Que não faz das agendas da Colina de S. José e do GAPI.
Se estivesse à cabeça de mais um projecto bajulador, subserviente ao poder, o Boio seria, certamente, levado ao colo e o SIC e as distintas Bofias jamais lhe atravessariam o caminho. Não usariam o pretexto da falta de legalização.
Angola precisa de empresários que apostem em democracia, que ajudem as pessoas a pensar diferente e que estes não sejam penalizados ou perseguidas por «delitos de opinião» que só existem nas ditaduras.
(*) PS- Este artigo foi escrito sem o conhecido do David Boio, uma pessoa que me merece a minha admiração e respeito.
Texto de Ilídio Manuel

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