Carrapato(s) em pele de Boi – Jorge Eurico

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Apesar de ser estrondosamente silenciosa, a grande onda de contestação contra o Presidente João Lourenço vem sobretudo do interior da sua propria “família política: O MPLA. O catastrófico e inesperado resultado da recente reunião do Conselho de Honra do MPLA é disso prova bastante.
Os insultos (com os quais estou em absoluto desacordo) que são directa, frontal e diariamente dirigidos ao Presidente João Lourenço sugerem claramente que a grande maioria do povo (já) não o quer.
Os emissores dos sobreditos insultos são sobretudo jovens que destilam o seu fel Redes Sociais e põe o SIC atarantado.
Aqui chegado, peço licença e a Vossa indulgência para exprimir publicamente, e pela primeira vez, o seguinte: A indicação de João Lourenço para suceder José Eduardo dos Santos no poder em Angola, foi o maior erro de cálculo (se não mesmo o pior) da trajectória política deste último.
João Lourenço perdeu, na perspectiva jurídica e política, legitimidade. A legitimidade – como é por demais consabido – emana do povo. E é este povo que (já) não o quer. Mesmo pintado. Ainda há por aí “doidivanas” que advogam um terceiro mandato para João Lourenço, o que obrigaria a alteração da Constituição para que tal pretensão fosse viabilizada.
O povo contesta todos os dias e por todos os meios a gestão de João Lourenço. É este mesmo povo que faz lembrar a João Lourenço e ao MPLA que ele é inapto, enquanto Chefe de Estado e sobretudo como Titular do Poder Executivo.
O Governo não terá celas suficientes para deter e torturar os jovens angolanos que todos os dias verberam contra a desastrada gestão governativa da Administração Lourenço, alçando-os, destarte, a categoria de presos políticos.
O dicionário define a “dignidade” como uma qualidade moral que infunde respeito. E, convenhamos, João Lourenço (já) não tem está qualidade. Falta-lhe dignidade.
Se a tivesse, em nome dos seus descendentes, já teria deixado o posto que ocupa para alguém mais capaz.
João Lourenço está a desonrar os seus próprios familiares, ao sujeitar-se a toda sorte de insultos de que é alvo quotidianamente, devido às bandeiras despregadas com quais nos brinda regularmente, a partir do Palácio da Colina de São José.
Tivesse João Lourenço o mínimo de dignidade perceberia que não existe razão para continuar. Que está perante um dilema que nem o “cinema” consegue mais resolver.
A indignação em relação à gestão da Administração Lourenço é colectiva e continua convocar a ira da “Geração Morango com Açúcar”, que não se comove nem se assusta com “estorietas” sobre o “27 de Maio de 1977”ou com a da fase sinistra de guerra que desestruturou famílias inteiras e, de forma transversal, esventrou o tecido social e económico do País. Uma triste saga que teve o seu epílogo apenas em Fevereiro de 2002. A “Geração Morango com Açúcar” é, quanto a mim, a verdadeira pedra no sapato de João Lourenço.
Os insultos (com os quais não concordo, repito) que a “Geração Morango com Açúcar” verte diariamente para a bloguesfera confirmam que o “Resgate de valores Morais”, de João Lourenço, (lembram-se dele?) – programa de que, a par do combate à corrupção, também fez muita gala no início do seu mandato – falhou redondamente.
Quase tudo que João Lourenço faz, não dá certo. Não atira nenhuma para caixa! Estivesse eu no lugar dele, há muito ter-me-ia demitido. Procuraria sair pela porta grande, de frente e com o mínimo de dignidade. Mas João Lourenço prefere agarrar-se ao discurso da injúria, qual carrapato em pele de boi e esperar por 2027 para sair sem honra, nem glória e muito menos dignidade pela “porta dos fundos”. E Joel Leonardo, como não poderia deixar de ser, segue-lhe às peugadas. Ninguém os quer. Mas teimam em manter-se no poleiro.” É muita truculência junta. Arre!

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