O recente relatório do Comité para a Protecção dos Jornalistas pinta um quadro sombrio para a África Subsariana. O número de jornalistas encarcerados aumentou de 31 em 2022 para 47 em 1º de dezembro de 2023.
Correção: O jornalista e analista político angolano, José Gama, que falava no Podcast de Canal África, destacou a necessidade de uma investigação mais profunda para compreender as razões por trás dessas detenções. Gama ressaltou que é crucial examinar se tais prisões estão relacionadas ao exercício legítimo da liberdade de imprensa. Um exemplo foi citado no contexto angolano, envolvendo o jornalista Carlos Alberto, que enfrentou acusações contra um procurador e optou por permanecer na prisão em vez de se retratar.
Em relação à situação nos países, apenas um caso foi registado na África do Sul, enquanto a Eritreia lidera com 16 jornalistas detidos, seguida pela Etiópia com oito e os Camarões com seis, de acordo com a classificação da CPJ. Este último caso é particularmente preocupante, uma vez que coloca a Eritreia no topo da lista de países que detêm jornalistas sem apresentar acusações formais ou processos legais.
Gama destacou a importância do papel desempenhado por organizações não-governamentais (ONGs) na tentativa de conter o aumento dessas detenções, enfatizando que um esforço conjunto poderia evitar o crescimento desse número preocupante. Ele também alertou para o fato de que um país africano está entre os 10 principais perseguidores de profissionais da comunicação no mundo.
No que diz respeito às nações classificadas como violadoras da liberdade de imprensa, Gama ressaltou que as falhas residem nos regimes políticos desses países, caracterizados pela intolerância e pela falta de uma cultura democrática. Ele argumentou que esses governos buscam deter jornalistas como uma forma de exemplo, desencorajando críticas à sua governança e, ao longo do tempo, estabelecendo uma cultura de controle.
O CPJ foi reconhecido por sua actuação em denunciar essas detenções, ressaltando que a atenção internacional pode influenciar governos a reconsiderarem suas práticas, dado o repúdio global aos violadores dos direitos humanos. Gama enfatizou que os relatórios anuais da CPJ desempenham um papel significativo na redução dessas perseguições e detenções.
Num contexto em que as fake news se tornaram uma preocupação mundial, Gama abordou a necessidade de distinguir entre o papel legítimo da imprensa e a disseminação irresponsável de notícias falsas nas redes sociais. Ele destacou a importância da regulamentação, observando que alguns países já possuem legislação, embora seja crucial não apenas penalizar os produtores de fake news, mas também os que as partilham, sem recorrer necessariamente à prisão.
