A Influência do Grupo Carrinho sob João Lourenço

Avatar By Redacao Jul 8, 2024

Desde a ascensão do Presidente João Lourenço ao poder, o Grupo Carrinho, uma empresa angolana que começou como um modesto barzinho no Lobito, viu seu crescimento se transformar em um império agroalimentar. Segundo o Jornal Expansão, o grupo expandiu suas operações para incluir 17 fábricas de processamento de arroz, trigo, milho e refinamento de óleos alimentares. Além disso, construiu a maior estrutura de armazenamento do país, com capacidade para 100 mil toneladas de cereais e 55 mil metros cúbicos de tanques de produtos oleaginosos.

No entanto, a narrativa inicial do Grupo Carrinho como uma simples barraca de refrescos é questionada por observadores como o jurista Rui Verde, citado pelo Club-k, que sugerem que a empresa foi um projeto apoiado por oligarcas angolanos desde o início. Apesar disso, a empresa é vista como um símbolo econômico de Angola e possui contratos exclusivos com grandes entidades como a Sonangol e a Polícia Nacional.

Jornal Kesongo relata as declarações do diretor financeiro da Carrinho Empreendimentos, Samuel Candundo, que nega qualquer envolvimento em monopólios ou favorecimentos políticos, especialmente em relação à Reserva Estratégica Alimentar (REA). Candundo afirma que a gestão da REA envolve várias entidades, incluindo o Entreposto Aduaneiro de Angola e o Ministério da Indústria e Comércio.

Por outro lado, angola24horas levanta sérias acusações de que o Grupo Carrinho está se beneficiando de contratos públicos vantajosos e práticas monopolísticas no mercado agrícola angolano, o que levanta questões sobre ética e transparência. O jornal destaca preocupações sobre o possível favorecimento do presidente João Lourenço à empresa, minando a concorrência justa e o interesse público.

O Jornal Expansão também investiga a relação entre o Grupo Carrinho e o governo, destacando a obtenção de contratos significativos como a gestão da REA, apesar das controvérsias sobre preços inflacionados e conflitos de interesse. João Lourenço defende que o Grupo Carrinho financiou seus projetos sem recursos estatais diretos, utilizando créditos comerciais e garantias soberanas.

Por fim, o grupo Carrinho, já conhecido pelo seu “estatuto especial” junto das autoridades angolanas, recebeu mais um contrato favorável do Estado. A notícia foi avançada pelo KALANDULATV, um canal do Youtube especializado em redes sociais e publicações alternativas.

A KALANDULATV mostrou no seu vídeo o acordo preliminar para a prestação de serviço de fornecimento de refeições aos trabalhadores envolvidos na construção e manutenção do corredor do Lobito e do porto do Lobito. Este acordo foi celebrado entre o governo angolano e o Grupo Carrinho. Não fornece números específicos, mas o simples facto de tais acordos contornarem os procedimentos normais indica a vantagem do Grupo Carrinho.

Enquanto a ligação direta entre o Grupo Carrinho e o presidente João Lourenço não é completamente clara, as alegações de benefícios indevidos levantam preocupações sérias sobre a integridade dos negócios em Angola. A cobertura jornalística contínua é crucial para esclarecer a verdade por trás dessas alegações e garantir que os recursos do Estado sejam utilizados de forma transparente e justa para o benefício de todos os angolanos.

Por Mário Silva Torres em Lisboa