(15+2) Nove anos depois: Reflexão sobre a luta pela liberdade em Angola

Avatar By Redacao Jun 20, 2024

No dia 20 de junho de 2015, treze jovens , foram detidos pelas autoridades angolanas e os outros foram arrolados nos dias seguintes sob a acusação de planejarem um golpe de Estado. Conhecidos como os “15+2”, esses jovens foram julgados e condenados em um processo que evidenciou as tensões entre um governo autoritário e uma juventude ávida por mudança. Este evento trouxe à tona memórias dolorosas de outra repressão violenta na história de Angola: o 27 de Maio de 1977.

Naquele fatídico dia em 1977, uma tentativa de golpe resultou em uma repressão brutal pelo governo de Agostinho Neto, onde milhares de angolanos foram mortos ou desapareceram. Embora as circunstâncias dos dois eventos sejam diferentes, ambos refletem a reação desmedida do regime angolano diante de desafios ao status quo. O processo dos 15+2, entretanto, teve um impacto significativo na política angolana contemporânea, contribuindo para a saída de José Eduardo dos Santos da presidência e fomentando o surgimento de diversas associações cívicas e movimentos sociais no país.

Nove anos após a detenção dos 15+2, a necessidade de reflexão sobre as práticas de detenções arbitrárias, julgamentos sumários e a perseguição de jovens dissidentes se faz urgente. Durante o processo dos 15+2, os angolanos se uniram em um movimento robusto pela libertação dos jovens. A solidariedade e a esperança permeavam o cenário, criando um sentimento de comunidade e resistência. No entanto, a situação actual é marcada por uma profunda divisão dentro da sociedade angolana, exacerbada por um regime que continua a silenciar vozes dissidentes.

Hoje, quase ninguém fala sobre a situação dos presos políticos, e as organizações da sociedade civil parecem conformadas com a ditadura vigente. O cenário é desolador para aqueles que ainda acreditam na possibilidade de uma Angola democrática e justa. A pergunta que se impõe é: o que fazer para inverter esse quadro num contexto cada vez mais autoritário?

A resposta pode residir na recuperação do espírito de união que caracterizou a luta dos 15+2. É fundamental que os angolanos, especialmente os jovens, se reúnam novamente em torno de uma causa comum. A criação de espaços de diálogo e a promoção da educação política são passos cruciais. As redes sociais e outras plataformas digitais podem ser ferramentas poderosas para disseminar informações e mobilizar apoio, evitando a censura e a repressão estatal.

Além disso, é vital que as organizações da sociedade civil recuperem seu papel de vigilância e advocacia. Parcerias com organizações internacionais podem fornecer o apoio e a visibilidade necessários para pressionar o governo angolano a respeitar os direitos humanos. A união por uma Angola melhor deve ser mais do que um slogan; deve ser um compromisso contínuo e activo.

Em última análise, a luta dos 15+2 e a memória do 27 de Maio lembram-nos que a liberdade e a justiça nunca são concedidas gratuitamente, mas conquistadas através de resistência e solidariedade. Nove anos depois, é hora de os angolanos retomarem a luta, inspirados pelo passado e movidos pela esperança de um futuro mais justo e democrático.

Por Hitler Samussuku