Mudei denuncia morte e tortura de activistas detidos no leste

Avatar By Redacao Jun 19, 2024
Mudei denuncia morte e tortura de activistas detidos no leste

Mais de 200 activistas detidos, há mais de oito meses, na província da Lunda Sul, estão a ser torturados e coagidos a assinarem documentos. Além disso, é-lhes negada assistência médica. A denúncia é do Movimento Cívico Mudei e da defesa dos activistas.

Mais de 200 activistas detidos, há mais de oito meses, na província da Lunda Sul, quando pretendiam hastear uma bandeira para exigir a autonomia do leste de Angola, estão a ser, todos os dias, torturados e coagidos a assinarem documentos. Além disso, é-lhes negada assistência médica. A denúncia é do Movimento Cívico Mudei e da defesa dos activistas.

O Movimento Cívico Mudei e a defesa dos activistas detidos no leste de Angola relatam, também, a morte de uma cidadã na prisão e, por isso, temem a reprodução do sucedido devido às condições carcerárias.

Esta terça-feira, 18 de Junho, o Movimento Cívico Mudei apresentou, em conferência de imprensa, um relatório sobre a situação carcerária das 235 pessoas detidas, desde Outubro do ano passado, no leste de Angola, por alegadamente terem tentado içar uma bandeira do Manifesto da Lunda Tchokwe, na província da Lunda Sul. Os activistas estão a ser acusados pelos crimes de rebelião e traição à pátria.

Jaime DomingosMC”, um dos coordenadores do Mudei, revela que um dos objectivos da pesquisa foi de tornar pública a existência de activistas presos no leste de Angola e denunciar à comunidade internacional as violações dos detidos nas cadeias das províncias do Cuando Cubango, Moxico e das Lundas Norte e Sul.

Se os detidos fossem de Luanda, isto seria um acto de protesto.

Portanto, por ser no leste não há essa repercussão.

Então, o maior objectivo é levar ao conhecimento de todos, para gerar solidariedade e sabermos que temos, neste exacto momento, detidos na região leste que também são angolanos, depois disso faremos questão de remeter o mesmo relatório a algumas organizações internacionais.

Belmiro Chimuco, um dos advogados dos activistas, diz que o processo é político porque, passados mais de oito meses, as autoridades judiciais ainda carecem de provas que possam sustentar as acusações imputadas aos seus constituintes.

Infelizmente estão a falar de um processo político.

Político porquê?

Porque as orientações do processo, infelizmente, não vêm do próprio tribunal ou da procuradoria, vêm dos nossos políticos, infelizmente.

São eles que estão a orientar como é que esse processo deve ser dirigido.

O representante da Ordem dos Advogados de Angola na província do Moxico denúncia a morte de um dos detidos, alegando que, diariamente, os activistas são supostamente submetidos a tortura e que também é-lhes negada assistência médica na cadeia.

Infelizmente já faleceu uma pessoa e nós tememos que, em função mesmo das próprias condições carcerárias, outras pessoas possam vir a perder a vida.

Todos os dias apresentam relatos de agressões.

São forçados a assinar documentos que eles não lêem, não sabem o que estão a assinar, mas quem não assinar é torturado”, denuncia o advogado Belmiro Chimuco.

A RFI tentou, sem sucesso, ouvir um dos representantes do ministério da Justiça dos Direitos Humanos. In RFI