Pastor Ndinga de Deus critica aliança entre MOVANGOLA e as igrejas

Avatar By Redacao Jun 8, 2024
Pastor Ndinga de Deus

Ndinga de Deus, pastor e líder do Colectivo de Apoio às Lutas e Mudanças em Angola (CALMA), expressou recentemente críticas à atuação do MOVANGOLA, liderado por António Sawanga, e à sua colaboração com o MPLA. O pastor acusa o MOVANGOLA de tentar manipular a comunidade cristã para evitar protestos futuros contra possíveis fraudes eleitorais do partido no poder.

Segundo Ndinga de Deus, a soberania é um poder absoluto e legítimo conferido pelo povo, e qualquer tentativa de violar essa legitimidade, especialmente através de fraudes eleitorais, é inaceitável. “MOVANGOLA defende uma soberania de uma figura que viola ao ar livre o poder popular. Se ele não sabe, a soberania é um poder absoluto constituído por acção legítima no âmbito político e jurídico de uma sociedade. É atribuído pelo povo através da legitimidade. MPLA viola a legitimidade do povo, boicota as eleições por via das urnas, e MOVANGOLA quer preparar um ‘sabonete’ para fazer lavagem cerebral dos cristãos para não optarem pelas ruas no futuro, quando o MPLA roubar os votos? Negativo!”, afirmou Ndinga de Deus.

O pastor sublinhou que os cristãos devem estar atentos e não permitir que a sua legitimidade seja usurpada ou manipulada. “Os pastores e os cristãos em geral devem despertar e entender que a legitimidade não pode ser violada. E a legalidade por via dos votos não pode ser usurpada.”

Além disso, Ndinga acusou o MOVANGOLA de tentar silenciar a igreja e corromper líderes religiosos para que desistam da luta pela mudança política em Angola. “MOVANGOLA, do senhor António Sawanga, tem a missão de silenciar a igreja e corromper vários pastores e activistas para desistirem na luta pela mudança e pelo desejo de alternância política em Angola.”

Ndinga de Deus também condenou qualquer pastor que apoie a narrativa do MOVANGOLA, afirmando que os cristãos têm direitos constitucionais que devem ser respeitados. “Condeno vivamente todo pastor que vier a enaltecer e abraçar o discurso de um desrespeitador da vida dos membros que dirigimos. Os cristãos são cidadãos terrenos e têm os seus direitos e deveres salvaguardados na constituição e devem ser respeitados escrupulosamente por quem detém o poder executivo.”

Expressando preocupação com a falta de liderança religiosa corajosa no país, Ndinga lamentou a ausência de figuras como os profetas bíblicos Elias e Neemias na eclesiologia angolana. Ele instou os cristãos a assumirem os seus papéis de cidadãos activos, defendendo os seus direitos invioláveis. “Os pastores que colaboram com o regime, não amam o povo. Estes, devemos abandonar as suas igrejas. Eles querem ver o nosso sofrimento e não pensam no povo que dirigem.”

Ndinga de Deus concluiu o seu apelo pedindo à igreja que observe as acções do MPLA e se manifeste contra a instrumentalização política da fé. “É hora da igreja acordar e emitir a sua voz de protesto!”