“Crianças de rua” com pouco ou nenhum apoio em Angola

Avatar By Redacao Abr 13, 2024
“Crianças de rua” com pouco ou nenhum apoio em Angola

Organizações não governamentais que lutam pela defesa de “crianças de rua” lutam com enromes dificuldades para ajudarem essas crianças muitas delas já nessas condições para fugirem a abusos e violência.

Castro Yossina, responsável do Instituto de Apoio à Criança Vulnerável (IACV) disse à VOA que muitas destas crianças têm sido acolhidas pela sua instituição com o fito de receberem educação informal e formação profissional para os adolescentes visando afastá-los da delinquência.

Ele falava após o Instituto Nacional da Criança (INAC) ter dado a conhecer novos dados de violência contra menores, incluindo trabalho infantil em propriedades agricolas

Yossina diz que na falta de apoios por parte do Governo a sua organização, que está representada no Huambo e em Luanda, vai fazendo o que pode.

“Pedimos à sociedade e às igrejas no sentido de tudo fazerem para alguma coisa para essas crianças não irem para a delinquência”, sustentou aquele líder associativo.

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O INAC revelou nesta segunda-feira, 8, a ocorrência de 270 casos de violência contra menores, em apenas uma semana.

Os casos de fuga à paternidade e disputa de guarda lideraram com 123 ocorrências, segundo a porta-voz do INAC.

Citada pela imprensa pública, Rosalina Domingos apontou as províncias do Bengo, Benguela, Luanda, Namibe, Moxico e Uíge como sendo as que tiveram mais registos, havendo dois casos de crianças abusadas sexualmente pelos seus progenitores.

Entre os casos consta igualmente o de 24 crianças, com idades entre os 11 e os 14 anos, resgatadas dentro de uma carrinha no Namibe.

Mais dados

Os menores eram transportados,de noite, de uma fazenda para outra, para trabalhos agrícolas, segundo Rosalina Domingos.

Estes dados juntam-se aos que o diretor do INAC, Paulo Kalesi, avançou em finais do ano passado que apontavam para um total de 13.055 crianças, em todo o país, vítimas de violência, no período de Janeiro a Outubro de 2023.

Kalesi tinha referido que a instituição registou um total de 993 casos de violação sexual em todo o país, entre os quais o de uma menina, de 11 anos, que foi violentada sexualmente pelo pai adoptivo, de 55 anos, no município do Kilamba Kiaxi.

O diretor do INAC tinha salientado ainda, o caso de duas irmãs, de 9 e 11 anos, que foram abusadas sexualmente pelo pai, de 49 anos, e o irmão, de 16 anos, no município de Luanda.

Kalesi tinha defendido que “as marcas físicas, emocionais e psicológicas de violência privam a criança da possibilidade de desenvolver todas as capacidades”.

“Quando repetido várias vezes, põe em causa os progressos necessários para a concretização dos Objectivos de Desenvolvimento, por isso, cada sociedade, independentemente das bases culturais, económicas e sociais, pode e deve pôr fim à violência contra a criança” , disse

Uma das consequências da violência contra a criança é o surgimento fenômeno de “crianças de rua” e o da delinquência juvenil, presentes em muitas cidades angolanas.

A secretária de Estado para a Família e Promoção da Mulher, Alcina Kindanda, assegurou recentemente que o Governo tem a criança vulnerável como prioridade, pois está numa condição que a sujeita a todo o tipo de práticas abusivas e violentas que precisavam ser travadas.

Falando na abertura de um seminário regional Huíla e Namibe, denominado “Município Amigo da Criança”, afirmou que a tarefa do Executivo está voltada ao cumprimento e à dinamização dos compromissos internacionais para com este grupo.

Sem revelar o número de crianças em condições de vulnerabilidade no país, sublinhou que cuidar desse grupo “é um dever cívico , mas também de amor e recai a cada família, Estado, sociedade civil, daí a necessidade de caminhar para a construção de um futuro seguro e promissor a favor destas”. VOA