É para ser levado a sério? – Ilídio Manuel

Avatar By Redacao Abr 1, 2024
É para ser levado a sério? - Ilídio Manuel

Em Março de 2022, quando visitou Cabo Verde, JLo disse que queria beber da experiência cabo-verdiana das autarquias, que considerou uma dos melhores em África.

Revelou na altura que as eleições locais em Angola estavam condicionadas à aprovação de uma lei, a de Implementação das Autarquias, e que tão logo esse obstáculo fosse removido, Angola estaria em conformidade com a democracia e o Estado de direito.

De lá para cá, não foram dados passos significativos, pelo contrário assistiu-se ao ensaio de várias manobras dilatórias, com o destaque para o modelo do Conselho de Governação Local e a recente Divisão Político -Administrativa (DPA), que retalhou o país em mais províncias e municípios.

Embora tivesse manifestado a sua afeição pelo modelo cabo-verdiano, na cidade da Praia, o PR admitiu, paradoxalmente, a hipótese da implementação da gerigonça, ou seja, a realização em simultâneo de eleições gerais, presidenciais e autarquias.

Trata-se de um modelo que teve lugar recentemente na vizinha RDC, onde, à semelhança de Angola, os falecidos não foram expurgados das listas eleitorais.

As eleições naquele país foram marcadas por uma série de irregularidades, que foram contestadas pela Oposição em bloco, mas ignoradas pelas instituições de recursos.

Esta semana, JLo voltou a tirar mais um “coelho da cartola” , deixando transparecer que as eleições autarquias poderiam ser um facto, caso o Parlamento aprove a última Lei que está em falta.

Paira uma certa expectativa em relação aos últimos desenvolvimentos, ficando-se por saber se o gesto de JLo é para ser levado a sério ou se há um ” gato escondido com o rabo de fora”…

Admitindo-se que elas venham a realizar-se, fica-se também por saber que modelo seguirá Angola: o cabo-verdiano, congolês ou moçambicano, sendo estes dois últimos pouco recomendáveis à prática da democracia, porque proporcionarem as condições para as fraudes eleitorais…