Quando se é jogador e árbitro ao mesmo tempo

Avatar By Redacao Mar 3, 2024
Quando se é jogador e árbitro ao mesmo tempo

O SIC diz que averiguou as denúncias feitas por “Man Genas” no espaço público sobre o alegado envolvimento de figuras públicas no tráfico de drogas, tendo chegado à conclusão que as acusações eram “infundadas”.

Apesar de o denunciante, que foi recambiado neste final de semana de Moçambique sem que Angola tivesse formalizado o respectivo pedido de extradição, ter sido acusado dos crimes de calúnia, difamação e ultraje aos símbolos nacionais, as atenções do SIC parecem mais viradas para os actos que possam configurar ilícitos contra a honra e a dignidade dos titulares de cargos públicos.

Sobre os crimes de tráfico de drogas, pouco ou quase nada, se fala, pelo que se pode inferir que a instituição policial está mais focalizada no mensageiro e não no teor da sua mensagem.

Será esta uma das razões que levou o SIC a exceder-se em matéria do aparato de segurança em torno do acusado, ao accionar medidas excepcionais, como se ele fosse um criminoso altamente perigoso? Ou seja, um indivíduo que deve ser mantido numa cadeia de alta segurança? Pretende a instituição policial aproveitar-se do caso “Man Genas” para lavar ou resgatar a sua honra em praça pública?

Por que razão o SIC não tomou o mesmo género de medidas quando, há três anos, o antigo PCA da TCUL, Leonel Cosme, foi extraditado de Portugal para, escassas horas depois, ter sido devolvido à liberdade? Haja moderação e inteligência!

Sendo o SIC e, por arrasto, o Ministério do Interior, parte nesse processo, já que alguns dos seus responsáveis foram acusados de “snifar” financeiramente a coca1na, como pode a instituição ser a mesma a investigar as denúncias que pesam sobre si, ou seja, pretende ser jogadora e árbitra ao mesmo tempo?

De forma a conferir um certo cunho de imparcialidade e credibilidade ao processo, não deveria ser outra entidade a conduzir as investigações?

Não basta o SIC dizer que cabe ao “Man Genas” apresentar as provas do crime, “aliviando” dessa forma a carga de responsabilidade ao Ministério Público de desencadear a chamada investigação oficiosa em sede de uma denúncia publica.

A PGR não pode ficar a assobiar para o lado, como de um mero espectador se tratasse.

Estando o denunciante no país, a sua presença física deveria ou não levar à Assembleia Nacional a reabrir o inquérito em sede parlamentar que levou a cabo no ano passado em que esteve ausente o “Man Genas”?

A comissão parlamentar terá coragem de o fazer, de assumir o seu papel, ainda que esvaziado, de fiscalizador das acções do Executivo?

Por estas razões é que as pessoas não acreditam na nossa justiça, suspeitam, com alguma razão, que a mesma trata uns por filhos e outros por enteados.

Por: Ilídio Manuel