CIVICOP: Cada vez mais longe do “Abraçar e Perdoar” – Ilídio Manuel

Avatar By Redacao Jan 6, 2024
CIVICOP: Cada vez mais longe do "Abraçar e Perdoar" - Ilídio ManuelCIVICOP: Cada vez mais longe do "Abraçar e Perdoar" - Ilídio ManuelCIVICOP: Cada vez mais longe do "Abraçar e Perdoar" - Ilídio Manuel

Está no ar um spot radiofónico cujo conteúdo terá sido produzido por um dos «gabinetes do ódio», no qual é dado destaque ao trabalho da CIVICOP para o desvendamento dos crimes de sangue cometidos durante a prolongada guerra civil angolana.

O spot, que está a ser profusamente divulgado pela RNA, constitui uma espécie de resposta à saída da UNITA da CIVICOP, como se a organização fundada por Jonas Savimbi temesse a revelação da verdade, daí a sua retirada.

Desde a sua criação até à data, a CIVICOP tem vindo a revelar-se como uma instituição que pretende apenas divulgar a meia verdade, diabolizar uma das partes e «suavizar» os crimes da outra parte.

A exibição de imagens macabras das escavações de cadáveres na Jamba, e a carga emocional que rodeou o acto, em que esteve presente o chefe dos serviços secretos, Garcia Miala, revelou o quão diferente tem sido o tratamento mediático dado às partes até então beligerantes.

Na tão propalada deslocação ao antigo bastião da UNITA, não só exibiram ossadas e roupas das vítimas, como também não hesitaram em apontar o dedo a Jonas Savimbi como o mandante de tais crimes, em contraste com as vítimas do «27 de Maio» em que não foi feita nenhuma referência, por mais leve que fosse, a Agostinho Neto, como o seu autor moral.

O tratamento desigual ou o descaso ficou também patente na forma como a imprensa pública e a própria CIVICOP remeteram-se ao tumular silêncio em relação às queixas dos familiares das vítimas do «27», tendo estas denunciado a troca de ossadas.

Divulgar a verdade significa dar o mesmo tratamento a todas as partes envolvidas, sendo uma delas a FNLA, que tem também as suas mãos tingidas de sangue. Numa palavra, aos três «senhores da guerra» angolana.

Difundir a verdade implica desvendar também os crimes da «Sexta-feira sangrenta», das mortes de militantes da UNITA em contentores no Tômbua ou do «massacre de Kinkuzu» de dissidentes da FNLA, no ex-Zaire.

A verdade material, a verdadeira reconciliação nacional, assim como o lema «abraçar e perdoar» só serão efectivos quando o MPLA reconhecer que cometeu também excessos.

Convém recordar que Jlo pediu desculpas em nome do Estado angolano e não do MPLA, um partido de que é também parte na história sangrenta de Angola.