Crédito malparado cresceu 315 mil milhões Kz este ano para 1,2 biliões Kz

Avatar By Redacao Dez 15, 2023

Estamos hoje longe do pico do malparado em Angola, quando em Junho de 2019 o sector bancário tinha o equivalente a 5.000 milhões USD em crédito vencido. Fruto da desvalorização cambial, do apertar de regras dos bancos, e do facto de a Recredit ter ficado em 2020 com a carteira de malparado do BPC (superior a 1 bilião Kz), o malparado da banca baixou para os cerca de 1.400 milhões USD verificados no final de Setembro.

O malparado da banca comercial voltou a subir em Setembro para 15,98%, um crescimento de 1,6 pontos percentuais face a Dezembro de 2022. Contas feitas, dos 7,3 biliões Kz que valia o crédito bruto da banca em Setembro, quase 1,2 biliões Kz estavam em incumprimento, de acordo com cálculos do Expansão com base nos Indicadores de Solidez Financeira do Sector Bancário do Banco Nacional de Angola (BNA).

São mais 315,1 mil milhões Kz em malparado do que em Dezembro de 2022, quando o crédito em incumprimento na banca rondava os 857,9 mil milhões Kz. Assim, estes quase 1,2 biliões Kz equivaliam, à taxa de câmbio do último dia de Setembro, a 1.420 milhões USD, equivalente a menos 280 milhões USD do que no final de 2022.

O facto de o malparado ter subido em kwanzas e ter descido em dólares deve-se à desvalorização cambial, já que desde o último dia de 2022 até 30 de Setembro, a moeda nacional depreciou 39% face à moeda norte-americana.

Assim, por cada 1.000 Kz de crédito bruto do sistema financeiro nacional, 160 Kz estavam malparados em Setembro.

Longe vão os tempos em que o malparado valia 34,5% do crédito bruto da banca, como aconteceu em Junho de 2019. Como o total do crédito bruto era de 4,9 biliões Kz, à taxa de câmbio da altura equivalia a 14.494 milhões USD. Ou seja, o malparado em Junho de 2019 era de 5.000 milhões USD. Só passado um ano é que baixou substancialmente, quando em Junho de 2020 a Recredit “assumiu” o crédito em incumprimento do maior banco público, o BPC. E baixou para 2.026 milhões USD, o que é um sinal do peso que o malparado do BPC tinha no agregado do crédito em incumprimento de toda a banca.

Apesar de hoje se estar muito longe desses valores, para vários especialistas o cenário deverá agravar-se em breve devido à perda de poder de compra das famílias, mas também das empresas, numa fase em que a inflação está a acelerar devido à forte desvalorização do Kwanza e à subida dos preços da gasolina.

Há outra questão que deverá contribuir para nos próximos meses subir o malparado na banca. É que em Outubro o Banco Nacional de Angola voltou a apertar a política monetária, aumentando a taxa BNA para 18%, com o objectivo de tirar liquidez ao mercado para combater a aceleração da inflação verificada nos últimos meses. Ora, taxas de juro mais elevadas garantem menos dinheiro no bolso das famílias e das empresas, que se vêm forçadas a optar entre pagar um crédito ou pagar despesas correntes como salários.

Crédito a subir

O crédito bruto da banca nacional tem vindo a crescer ano após ano. Desde 2017 cresceu 91,1%, passando de 3,8 biliões Kz para pouco mais de 7,3 biliões. De acordo com as estatísticas monetárias e financeiras do BNA, o crédito bruto total é composto por crédito ao “sector privado” (dividido entre outras sociedades não financeiras e outros sectores residentes), por empréstimos a “outras instituições financeiras monetárias e não monetárias”, à “administração central”, ao “sector público, excluindo a administração central”, ao “BNA” e a “não residentes”. Expansão