Adalberto Junior lamenta que Angola continua a ser o país da SADC que menos investe na educação

Avatar By Redacao Nov 3, 2023
Foto: ACJ

O Presidente da UNITA, Adalberto Costa Junior, fez um discurso esta semana, abordando questões cruciais relacionadas ao estado da nação angolana, com foco especial na educação. No seu discurso, Costa Junior destacou a transformação da educação em Angola em um terreno fértil para negócios ilícitos e lucrativos, marcados pela venda de vagas de acesso e notas no processo de avaliação.

Esta prática ilegal, segundo o líder da UNITA, penaliza severamente as famílias mais pobres, pois os preços das vagas podem variar de 50 a 400 mil kwanzas, tornando o acesso à educação um privilégio financeiro. Além disso, as insuficiências estruturais no sistema educacional dificultam a absorção da população em idade escolar, resultando no aumento anual do número de crianças sem acesso à escola. Isso contribui para o agravamento das desigualdades e assimetrias sociais, principalmente entre zonas urbanas e rurais.

Dados alarmantes indicam que apenas 11% das crianças com idades entre 3 e 5 anos têm acesso à educação pré-escolar, e menos de 30% dos alunos que concluem o ensino básico na escola pública conseguem avançar para o ensino secundário. A situação é descrita como alarmante, visto que muitos jovens não conseguem prosseguir seus estudos devido a barreiras financeiras e estruturais.

A negligência do governo angolano em relação à educação também foi enfatizada no discurso. Adalberto Costa Junior apontou que o investimento público em educação em Angola continua sendo um dos mais baixos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Comparado a países vizinhos com recursos menores, Angola fica abaixo da média, o que impacta diretamente a qualidade do sistema educacional.

O discurso também abordou a falta de valorização do corpo docente, devido a salários inadequados que mal sustentam o custo de vida atual. Isso força muitos professores a buscar alternativas questionáveis para sobreviver.

Além disso, questões como a falta de infraestrutura básica nas escolas, como a falta de carteiras, água potável e condições adequadas de higiene, foram destacadas como desafios persistentes. A imagem de crianças estudando debaixo de árvores e carregando bancos para a escola permanece uma realidade triste.

Outra preocupação abordada é a falta de políticas de investimento e incentivo à pesquisa científica e extensão universitária. A maioria das universidades angolanas carece de programas sólidos de pesquisa, o que prejudica o desenvolvimento de soluções avançadas para os desafios do país.

Em resumo, o discurso do Presidente da UNITA destaca a urgência de enfrentar os problemas educacionais em Angola, instando o governo a investir mais na educação e adotar medidas concretas para melhorar o sistema educacional no país.