Nas ditaduras “o discurso do príncipe transforma-se em lei que deve ser por todos acatado” – ACJ

Avatar By Redacao Out 31, 2023
Foto: ACJ

O presidente da UNITA, maior partido da oposição angolana, disse hoje que nenhum país se constrói sem justiça nem liberdade e comparou Angola a Moçambique no que respeita à “desesperada manutenção do poder”.

Adalberto Costa Júnior escolheu hoje o bairro da Boavista, no Sambizanga, para fazer a réplica à mensagem do Presidente angolano, João Lourenço, sobre o Estado da nação, proferida no dia 16 de outubro.

O objetivo foi convidar o Governo e o seu titular a “retratar com coragem e verdade o país real, totalmente distinto da mui extensa lista de promessas lida na Assembleia Nacional e que em nada se assemelha e não caracteriza a Angola” real, afirmou o líder partidário.

“Faço um apelo para que as elites temporariamente instaladas no poder não virem as costas à ética e à cultura da legalidade, em troca de benefícios, que percam o medo e façam deste um País de direito, reconciliado, inclusivo e participativo”, disse o líder da UNITA em conferência de imprensa para falar sobre o discurso do Presidente da República, João Lourenço sobre o Estado da Nação.

“Apelo às elites deste País que se envolvam em fazer retornar aos angolanos a confiança nas suas instituições, que façam retornar aos jovens a inversão do desejo de partida na busca de esperanças perdidas publicamente”, acrescentou.

Na sua opinião, “nada justifica que 22 anos depois da paz não impere um ambiente de sã convivência e diálogo fraterno, porque adversário político não é inimigo, competição política é essência da democracia e alternância não é o fim da vida”.

Para Adalberto Costa Júnior, “o Presidente da República, perdeu a oportunidade de anunciar aos angolanos que o seu partido e ele próprio iriam agendar a votação da Lei da Institucionalização das autarquias, que ele tem impedido, e assim cumprir a promessa que fez em 2017 e durante a sua campanha em 2022 e provar que aquelas promessas não foram cantiga para fazer o boi dormir”.

“No dia 11 do próximo mês, Angola completará 48 anos de independência, e, tal como o País, os angolanos e as angolanas que nasceram naquele dia estarão a apenas dois anos de fazer 50 anos de idade, portanto meio século ou cinco décadas”, sublinhou.

Para o líder da UNITA, “o ciclo político e económico 2018-2022 reflectiu-se num recuo económico e social e as evidências são obtidas pela análise de balanço do primeiro Plano de Desenvolvimento Nacional de João Lourenço”.

“O facto de o petróleo continuar a representar mais de 90% das exportações de Angola faz com que o resto da produção interna (sector não petrolífero), particularmente aquela que é criada simplesmente para substituir importações, seja fortemente insustentável”, disse, frisando que “o País está à beira de um risco financeiro e económico sem precedentes”.

“Desta vez, uma queda do preço do petróleo, se persistente, já não será resolúvel com uma mera revisão orçamental, como no passado. E é esta circunstância que nos leva a focalizar a presente comunicação nas questões relativas às Finanças do Estado”, salientou.

Outra das áreas críticas da governação de João Lourenço, para Adalberto Costa Júnior, é a justiça e as denúncias de corrupção que envolvem juízes de tribunais superiores.

“A forma atabalhoada como o Presidente da República lidou com este quentíssimo dossier é a grande nódoa em pano branco neste período”, criticou o dirigente partidário, que fez um balanço “desastroso” da ação governativa.