A morte de Tito Chingunji e Wilson dos Santos por Jonas Savimbi – Pedro Santareno

Avatar By Redacao Ago 10, 2023


A relação e a história da família Chingunji com Jonas Savimbi é longa e remonta ao tempo colonial, no Planalto Central (Huambo – Bié). A família Chingunji foi das mais prestigiadas e requintadas no Centro, Sul e até no leste de Angola. Na época colonial, o Sr. Eduardo Jonatão Chingunji (que foi o patriarca da família) passou pelo Dôndi que foi uma missão evangélica onde se formaram boa parte dos quadros da UNITA, incluindo alguns fundadores daquele partido. O Dôndi foi criado pela Igreja Protestante. Ele foi professor e chegou também a ser o Director da Escola da Missão de Chissamba. Na época colonial, na região centro e sul de Angola, os centros como Dôndi, Chissamba, Bunjei, Chilesso, Elende e Camundongo, criados pela igreja protestante com apoio de missionários americanos, canadianos e ingleses, serviam para formar enfermeiros, professores, carpinteiros e técnicos de outras áreas importantes da vida social e, por isso, desempenhavam um papel marcante na vida das pessoas, sobretudo nas zonas onde não existiam esses serviços. O Patriarca da família Chingunji passou pelo centro do Dôndi como professor de prestígio, tendo aí formado muita gente. Depois, emigrou para Portugal, onde se formou em Teologia, em Carcavelos, voltando de lá como pastor.

Foi o velho Eduardo Jonatão Chingunji quem implantou as primeiras estruturas políticas da UNITA no Bié e ajudou a expandir a UNITA até à região leste de Angola, sobretudo em várias zonas do Moxico, onde também evangelizava e leccionava. Foi por isso um dos o pilares da instalação e inserção da UNITA na região centro e leste de Angola, usava a evangelização e os discursos como a sua arma de eleição, e desse modo galvanizava não só os angolanos, mas também os portugueses; alguns eram até comerciantes e com relação privilegiada com a Administração Colonial Portuguesa. Por conta dessas suas actividades políticas, o velho Chingunji é detido pela tropa colonial e desterrado para o Tarrafal, em Cabo Verde, no final da década de 60, e a sua esposa Sr.ª Violeta Jamba foi para São Nicolau, de onde viriam a sair em 1974, com o fim do regime colonial português após o 25 de Abril.
Durante a sua permanência no Tarrafal surgiram relatos de ter sido Savimbi quem arquitectou a sua detenção e seu desterro com vista a afastá-lo do seu percurso. O velho Chingunji teve ao todo dez filhos com duas mulheres. Da primeira mulher, a Sr.ª Isabel Sapassa, teve Samuel Piedoso Jonatão Chingunji “Kapessi Kafundanga”, Vitória Nayinda Jonatão Chingunji, e Francisca Isabel Jonatão Chingunji “Xica”. Da segunda mulher, a Sr.ª Violeta Jamba, teve sete filhos: David Jonatão Chingunji “Samwimbila”, Estêvão Jonatão Chingunji, Paulo Barros Jonatão Chingunji, Maria Helena Jamba Jonatão Chingunji, gémea com Pedro Ngueve Jonatão Chingunji “Tito”, Eduardo Júnior Cassinda Jonatão Chingunji, e Alice Chipondia Jonatão Chingunji “Lulu”.
Na década de 60, com a ausência de Eduardo Jonatão Chingunji, preso no Tarrafal, vendo Savimbi a necessidade de ganhar popularidade junto da tribo Ovimbundo e de se expandir um terceiro movimento de libertação nacional fora do MPLA e da FNLA, começou uma campanha com vista a alistar nas fileiras deste novo movimento (UNITA) os dez filhos e irmãos do Velho Chingunji, tendo em conta o prestígio e reputação que o mesmo gozava naquela zona e até na região leste de Angola. Assim, Savimbi consegue aproximar-se deles com vista à criação da UNITA. Samuel Piedoso Chingunji “Kapessi Kafundanga” primeiro Chefe de Estado Maior das FALA, junto com seu irmão David Jonatão Chingunji “Samwimbila”, que é o Patrono da JURA (Juventude Unida Revolucionária de Angola – Braço Juvenil da UNITA), que em sua homenagem o 18 de Julho é considerado o dia desta organização juveníl, mais outros nacionalistas com quem Jonas Savimbi criou a UNITA à 13 de Março de 1966. Mais tarde, Savimbi incorporou nas fileiras da UNITA Pedro Ngueve Jonatão Chingunji “Tito”, Alice Chipondia Jonatão Chingunji “Lulu”, que foi esposa de Isaías Chitombi, Maria Helena Jamba Jonatão Chingunji dos Santos, esposa de Wilson dos Santos. Além desses, ingressaram nas fileiras da UNITA tantos outros da família Chingunji, como sobrinhos, destacando-se: o sobrevivente da saga, Eduardo Júnior Jonatão Chingunji “Dinho”, que foi o Ministro da Hotelaria e Turismo no GURN pela UNITA e é filho de Samuel Piedoso Jonatão Chingunji; netos e primos, que foram recrutados, ou aderiram de forma voluntária a UNITA.
Por isso, a família Chingunji é das mais prestigiadas dentro da UNITA, do mesmo modo que o são no MPLA os Pinto de Andrade ou os Mendes de Carvalho e tantas outras família de grande prestígio na região centro e sul de Angola, particularmente nas províncias do Bié, Huambo, Cuando Cubango, Huíla, Benguela e até no Moxico, cuja relação de sanguinidade com os antigos reis daquela região é até hoje venerada, havendo alguns descendentes que são tratados por príncipes por fazerem parte da linhagem dos antigos soberanos instalados um pouco por todo território de Angola. A história da família Chingunji cruza em grande parte com a da UNITA, principalmente com o seu surgimento, implantação e expansão.
Em 1975, o Sr. Eduardo Jonatão Chingunji, depois de ter saído do Tarrafal, foi nomeado por Savimbi como governador da província do Bié, em resultado da proclamação fictícia da independência de Angola por Savimbi, no Huambo, e a constituição do seu primeiro Governo. Com o eclodir da guerra entre a UNITA e o Governo de Angola, a UNITA instalou-se na Jamba, e lá a relação entre Savimbi e o Sr. Jonatão começou a azedar, porque este criticava as decisões excessivas de Savimbi, particularmente o desejo desenfreado por mulheres, algumas já comprometidas, e a forma como aplicava os métodos de repressão militar à população civil. Temendo os apoios que estas críticas de Eduardo Jonatão Chingunji ganhavam no seio da população e na Direcção do Partido, em 1979 Jonas Savimbi mandou espancar até à morte o patriarca da família Chingunji e sua esposa Srª Violeta Jamba, sob alegação de estes terem práticas de feitiçaria e sobrevoarem no período nocturno a sua residência na Jamba com intenção de o matarem. Teve o mesmo destino, sob orientação de Savimbi, o Eduardo Júnior Cassinda Jonatão Chingunji, a sua esposa Aida Henda, seu filho Eduardo Chingunji “Eduardinho”, chará do Velho Chingunji, e sua irmã Alice Chingunji “Lulu”.
Conta-se que o motivo da morte da Alice terá sido por esta nunca ter aceitado cair nos encantos de Savimbi, apesar de este ter feito tudo para fazer dela uma das suas mulheres, tal como aconteceu no dia 7 de Setembro de 1983, quando Savimbi numa pose tresloucada, com a sua boina vermelha e um lenço vermelho à volta do pescoço e uma pistola tipo gangster do oeste americano supervisionou de perto a terrível operação de queima de pessoas num total de quase 40 pessoas. Com essas práticas Savimbi queria primeiro cimentar o seu poder dentro da UNITA, não permitindo qualquer tipo de oposição ou contestação em relação às suas decisões e, segundo, assegurar a submissão das mulheres mais cultas ou instruídas da UNITA, de modo a que nenhuma delas se atrevesse a recusar os seus caprichos amorosos e aumentar a sua longa lista de sultão à moda da Jamba.
Um desses casos foi o que ocorreu com Judith Bonga ou a Sr.ª Aurora e o seu filho Luís Michel de 7 anos, atirados ao fogo. Essa questão marca a memória de todos que assistiram àquele acto bárbaro, porque antes de ser colocada na fogueira, com um ar tranquilo e segura, a Sr.ª Aurora meteu o seu filho ao colo e olhou fixamente nos olhos de Savimbi e disse: “Savimbi, você nunca será Presidente de Angola e terás um fim trágico”. O que profeticamente veio a concretizar-se a 22 de Fevereiro de 2002.
Nesta trama toda e na saga da família Jonatão Chingunji às mãos de Jonas Savimbi, a questão de Tito suscitou maior mediatização, muito por conta de ser o membro da família Chingunji que esteve melhor posicionado na estrutura da UNITA e com grandes possibilidades de atingir a liderança.
Os casos de Tito Chingunji e Wilson dos Santos abalaram fortemente a credibilidade da UNITA a nível internacional, e mesmo em Angola, sobretudo em alguns círculos da Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA) e não só. Há relatos credíveis que na UNITA, Tito Chingunji foi quem propôs ao seu líder a possibilidade de iniciar negociações com o MPLA com vista a pôr fim à guerra em Angola. Segundo os mesmos relatos, para Tito, a UNITA tinha de apresentar um plano bem elaborado aos americanos e europeus com vista a fazerem pressão junto do MPLA a iniciar as negociações que culminaram com o Bicesse. Para o efeito, Tito manteve os primeiros contactos com o Embaixador de Angola na República da Alemanha do Leste, o mais velho Agostinho André Mendes de Carvalho “Uaenga Xitu” visto que a relação entre a família Chingunji e o Embaixador começara no período em que o patriarca da família, o Sr. Eduardo Jonatão Chingunji esteve preso em Tarrafal, lá terá forjado amizade com o nacionalista e boa parte da nata política do mpla, incluindo Manuel Pedro Pacavira.
Os contactos desenvolvidos por Tito eram sob orientação e conhecimento de Savimbi e da Direcção da UNITA. Um dos maiores desafios foi convencer os americanos dessa nova abordagem da UNITA, de grupo beligerante para partido político. Para o efeito, Tito terá jogado um papel importante e fundamental para convencer a elite americana, incluindo os Democratas e Republicanos conservadores, as igrejas americanas e as organizações de negros norte-americanos de como a UNITA tinha um bom plano para iniciar negociações com o governo de Angola. Nesta odisseia, a UNITA ganhou muitos apoios e simpatias do Congresso, da CIA, do Pentágono, da Casa Branca e de vários governos e empresários europeus, resultando em grandes somas de apoios logísticos, financeiros e diplomáticos com o objectivo de ajudar a UNITA a chegar ao poder em Angola. Na verdade, o objectivo de Tito era de conseguir tirar Savimbi da Jamba e trazê-lo para a cidade, visto que na Jamba as atrocidades de Savimbi ganhavam proporções alarmantes, com queimas de pessoas vivas, torturas até à morte e o fuzilamento de possíveis traidores da causa, como prato do dia-a-dia. Tito sabia que se Savimbi estivesse na cidade, em Luanda ou no Huambo, sob o olhar da imprensa nacional e internacional ou de outras individualidades, essas atrocidades diminuiriam e os americanos e europeus começavam a apoiar essa perspectiva de Tito. Por isso é que a morte de Tito custou caro à UNITA.
A informação de que Tito Chingunji, Brigadeiro, Secretario das Relações Exteriores e representante da UNITA em Washington-EUA, e Wilson dos Santos, representante da UNITA em Lisboa-Portugal, suas esposas e filhos foram mortos por ordens ou com conhecimento de Savimbi, abalou profundamente a imagem da UNITA dentro e fora de Angola.
Por conta dos contactos que fazia com os representantes do governo, Tito foi acusado de traidor por Jonas Savimbi. Naquele julgamento apenas Tito era o réu. Wilson dos Santos aparece por ser confidente de Tito e marido da irmã gémea deste, Maria Helena Jamba Chingunji dos Santos. Nesta condição, Wilson tinha a mulher e os filhos presos também na Jamba, tal como Tito. O mesmo voltou à Jamba para fazer pressão a Savimbi para que libertasse a sua família por não terem nada que ver com o caso do Tito. A Direcção da UNITA admitia ter orientado Tito a fazer alguns contactos com o governo angolano, mas que Tito terá desvirtuado o sentido da orientação. Segundo Savimbi, este terá apresentado ao governo angolano um sentido de clemência ou de rendição da UNITA. Wilson dos Santos, companheiro de Tito, terá cometido o erro de levar na sua bagagem um livro intitulado “Como fazer um golpe de Estado”. O que seria uma mera coincidência académica e intelectual, transformou-se naquele momento em prova inequívoca de algum plano macabro conjunto.
Depois disto, todos os representantes da UNITA voltaram para os seus postos no exterior do país, mas Tito e Wilson não voltaram. Jardo Muekalia foi indicado para substituir Tito Chingunji como representante da UNITA nos Estados Unidos da América e na condição de Secretário das Relações Exteriores da UNITA foi indicado Adolosi Mango Paulo Alicerces “Alicerces Mango”.
A chegada de Jardo Muekalia aos Estados Unidos da América como novo representante da UNITA naquele país causou estranheza. Com vista a diminuir as suspeitas, levou com ele uma missiva que Tito fizera em que esclarecia as razões do seu não regresso. Essa prisão de Tito provocou inúmeros descontentamento dentro da UNITA, sobretudo junto dos quadros que discordavam dos métodos de Savimbi na liderança da UNITA, é assim que militantes como Jorge Rebelo Chicoty, Sousa Jamba, Dias Kanombo, Lindo Kanjunju e Yamba Yamba, começaram a desenvolver um grande movimento diplomático internacional muito forte para informar junto de várias instituições nos Estados Unidos da América – como o Congresso, a CIA, o Pentágono, a Casa Branca e na Europa, onde Tito tinha muitos amigos e simpatizantes, do que estava a ocorrer na Jamba, e que Tito e sua família corriam risco de vida.
A Comissão de Informação da Câmara de Representantes chegou mesmo a advertir a UNITA, por via do seu oficial de contacto, que se alguma coisa acontecesse a Tito terminaria o apoio logístico americano à UNITA. Para os americanos e sul-africanos, era uma questão de honra manter vivo Tito, Wilson e seus familiares. Por isso, Savimbi havia prometido poupá-los. Foi promovida uma campanha internacional com vista à libertação de Tito, que depois ganhou também apoio de outros membros da UNITA, sobretudo os jovens (Membros da JURA) com quem Tito privava muito e que por ele tinham muita admiração, simpatia e respeito. Toda essa pressão internacional só tornava mais concreta a ideia de Savimbi de eliminar Tito, por começar a ter a certeza da importância que este tinha juntos de aliados americanos e europeus. Aumentava com isso a certeza de que Tito gozava de grande popularidade naqueles países e que era alternativa à sua liderança na UNITA. Mais tarde, quando Savimbi convocou para a Jamba alguns dos seus representantes no exterior, entre eles Isaías Samakuva, Jardo Muekalia e Paulo Armindo Lukamba “Gato”, este último foi acusado de ter conhecimento e facilitado encontros amorosos em casa de Jaka Jamba em Paris-França entre Tito Chingunji e a Primeira Dama da UNITA, a Sr.ª Ana Isabel Paulino Savimbi, uma das esposas de Jonas Malheiro Savimbi. Ana Isabel Paulino fora namorada e noiva de Tito Chingunji, antes de ser esposa de Savimbi, que depois desta situação foi enterrada viva com Jonas Savimbi a assistir, depois Savimbi passou a viver com a sobrinha desta, Sandra Kalufela.
A boa aparência e a grande popularidade de que Tito gozava no seio dos jovens lhe causou grandes ciúmes e inimigos no seio da UNITA. A simpatia e aceitação que granjeava junto dos aliados da UNITA nos Estados Unidos, na África do Sul e na Europa, o surgimento em alguns círculos americanos da visão segundo a qual Tito seria uma alternativa para a liderança da UNITA, e a relação amorosa que manteve com a Ana Isabel Paulino Savimbi foram na verdade os pecados capitais de Tito Chingunji. Outros argumentos e acusações existiram apenas para tirar Tito do caminho.
Ainda assim, para ludibriar e encantar os apoios que Tito tinha junto dos militantes e militares, Savimbi num acto público garantiu criar a figura de Vice-Presidente da UNITA, e apontou Tito como a figura ideal para o cargo. Nessa altura, Tito contava pouco menos de 30 anos de idade. Por isso, e temendo os ciúmes dos mais velhos do Partido, Tito terá rejeitado o cargo, numa conversa privada com Savimbi.
Fruto da simpatia de Tito junto dos americanos, a Administração e o Congresso tinham interesse em saber do estado físico de Tito e da sua família. Foram por isso enviadas à Jamba várias delegações pedindo especificamente um encontro com ele. Sempre que as personalidades eram enviadas à Jamba para visitar Tito, mantinham com ele encontros, mas nunca a sós. Sempre que fossem personalidades para esse encontro especifico, Savimbi mandava Tito estar fardado, com o rádio de comunicação na cintura (sem bateria) e com a pistola (sem munições), mas sempre acompanhado de um guarda para ouvir a conversa e manter Tito sob controlo. Tito evitava por isso falar ou contar a realidade que vivia, porque tinha toda a sua família sob o controlo de homens do da guarda de Savimbi, pois receava que qualquer movimento em falso levaria a que sua família fosse decapitada.
Em Março de 1992, Tony da Costa Fernandes e Miguel N’zau Puna desertaram da UNITA e anunciaram a morte de Tito, de Wilson dos Santos e de seus familiares, em Novembro de 1991. Essa notícia foi fortemente difundida pela Voz da América, a BBC, RFI e a imprensa portuguesa. Essa notícia abalou várias estruturas, desde o governo angolano, à Comunidade Internacional e, sobretudo, os americanos e sul-africanos, que sempre concederam à UNITA todo o tipo de apoio: financeiro, logístico, assessoria militar, etc.
Em síntese, Tito Chingunji procurou ser um elemento de transformação e de reformas dentro da UNITA. O seu azar foi procurar levar a cabo esse seu plano num período impróprio da história da UNITA,
Em 1991, Pedro Jonatão Chingunji “Tito” mais a sua esposa Raquel Matos Romy, que era sobrinha de Savimbi, e os três filhos, dos quais dois eram gémeos, Fernando Wilson dos Santos mais a sua esposa Helena Chingunji dos Santos e os seus filhos (Koly com doze anos, Rady de oito anos, e Paizinho com quatro anos), mais o Padre Camilo Cangombe, a Senhora Victória Chitata e sua filha de um ano, Waldemar Pires Chindondo, José Alberto Joaquim Vinama “Chendovava”, Aníbal Piedoso Chindondo, Viviona Savimbi (ex-mulher de Savimbi), Afonso Kala, Eunice Panava (Primeira Secretária da LIMA-Braço feminino da UNITA), Gina Kassangi, Candinha Vumbi, Cristina Brito, Sessa Puna (esposa de N’zau Puna), Alfeu Chiua, Agostinho Carizo, António Vakulukuta, Jorge Ornelas “Sangumba”, entre tantos outros, foram mortos por orientação de Savimbi pelo seu esquadrão da morte e enterrados nas valas comuns da Jamba (Cuando Cubango). O facto de se ter mandado matar Tito, Wilson e seus descendentes mostrava a intenção deliberada do mandante em limpar da face da terra os Chingunji. Mas como não existem sagas sem sobreviventes, este foi o caso de Eduardo Jonatão Chingunji “Dinho”, filho de Samuel Piedoso Jonatão Chingunji “Kapessi Kafundanga”, que sobreviveu por se encontrar na altura no exterior do país a estudar.
A denúncia do assassinato de Tito, Wilson e seus familiares custou muito caro à UNITA nas eleições de 1992. Os desertores da UNITA Miguel N’zau Puna e António Fwaminy da Costa Fernandes “Tony da Costa Fernandes”, difundiram essa informação de forma pomposa e garbosa nos media internacionais, e isso arrefeceu profundamente as relações da UNITA com os Estados Unidos da América e demais parceiros no exterior de Angola, e não só, abrindo-se assim portas para o estabelecimento das relações do governo angolano com a potência americana.
A UNITA e o seu líder a princípio negavam as acusações sobre a execução de Tito, Wilson e seus familiares. Com o andar do tempo e com a ausência notória de Tito e de Wilson em actos públicos, mais tarde numa carta endereçada ao Secretário de Estado norte-americano, James Addison Backer III, o líder da UNITA admitia a execução dos dois e seus familiares em Novembro de 1991. A confirmação dessa execução em particular de Tito, provocaram uma grave crise que estremeceu profundamente a UNITA, manchou a imagem de Savimbi no plano interno e internacional, sobretudo na América e na Europa, em Portugal por exemplo, os partidos PS, PCP e PSD demarcaram-se e condenaram veementemente essa actitude de Savimbi e da UNITA, até o CDS-PP de Diogo Pinto Freitas do Amaral que era o único partido dos grandes em Portugal que muito cedo reconheceu oficialmente a UNITA.
Pedro dos Santos Santareno – Mestre em Ciência Política e Professor Universitário