Ex-director do Gabinete de Quadros da Casa Civil do Presidente da República antevê fracasso da Estratégia de Desenvolvimento 2025-2050

Avatar By Redacao Ago 9, 2023


O ex-director do Gabinete de Quadros da Casa Civil do Presidente da República Aldemiro Vaz da Conceição prevê que a ‘Estratégia de Desenvolvimento 2025-2050’, anunciada recentemente pelo governo, esteja “fadada” ao fracasso, tal como fracassou a estratégia que a antecedeu, a 2000-2025, da qual não se conhece até hoje “algum balanço dos seus dez primeiros anos”.
Aldemiro Vaz da Conceição reagia às declarações do antigo ministro
Carlos Feijó, feitas durante as Conferências do Expansão, sobre os recorrentes “males” que têm ditado o fracasso de dezenas de programas de reestruturação económica, adoptados ao longo da existência de Angola como país independente.

de Estado e Chefe da Casa Civil
“Se quisermos superar a recorrência dos nossos males, temos de ir para além da elaboração de belos programas de desenvolvimento económico e social. Por exemplo, a Estratégia de Desenvolvimento 2025-2050 está fadada a ter o mesmo destino da anterior Estratégia 2000-2025 que lhe deu origem, de que já não se fala e da qual nunca ninguém ouviu falar que tenha sido feito sequer algum balanço dos seus dez primeiros anos”, declarou Aldemiro Vaz da Conceição, no texto tornado público pelo portal Kesongo.
O ‘antigo homem dos Quadros’ do ex-Presidente José Eduardo dos Santos admitiu, na mensagem destinada ao ‘amigo Carlitos’, que haja quem até o vá considerar “demasiado pessimista”, por hoje reafirmar a tese de que os fenómenos negativos, quer económicos, quer sociais e políticos são recorrentes no país, “por demonstrar que em Angola não se segue o princípio muito difundido no senso-comum de que a História ‘ensina’ e serve para ‘evitar’ a repetição dos erros do passado”.
Para Aldemiro Vaz da Conceição, “se estamos permanentemente, há 48 anos, a abordar os mesmos problemas económicos, é porque, de facto, a história não nos tem servido de lição”, daí que “continuamos a considerar a diversificação e competitividade fora do sector petrolífero como sendo vital para o emprego, o rendimento, a redução da pobreza e o crescimento robusto do PIB [Produto Interno Bruto]”.
Tal como se tem considerado “a resolução dos problemas ligados ao acesso ao financiamento, em particular, para a indústria transformadora e a agricultura, como fundamentais para superar as grandes distorções na atribuição do crédito que prejudicam a eficiência e a competitividade da economia angolana como um todo”.
Diante de tudo isso, Aldemiro Vaz da Conceição levantou uma questão de fundo: “Esses problemas que tu bem enumeras são recorrentes, porque nunca foram realmente resolvidos. E como afectam o quotidiano do cidadão comum, a sua persistência tende a revelar-se em contextos diferentes. A grande questão que se coloca é saber por que razão nunca foram resolvidos”.
O ex-director do Gabinete de Quadros da Casa Civil do Presidente da República atribui o fracasso desses programas a um alegado combate dirigido a uma elite pensante, que não tem sido compreendida ao longo destes anos todos de país.
“Creio que o principal entrave se encontra desde as suas origens (1975) no nosso poder político que, por duas razões fundamentais, não foi capaz de o fazer por falta daquilo que se designa de vontade política e por incompetência, isto é, incapacidade técnica, administrativa, política e inexperiência dos seus quadros de direcção, que, mesmo quando rodeados dos melhores quadros técnicos nacionais — tu referiste-te ao escol [elite] que elaborou o SEF [Saneamento Económico e Financeiro]—, não logram grandes resultados porque a tal ‘nata’ é combatida das mais diversas formas”, frisou.
A ‘Estratégia de Desenvolvimento 2025-2050’, é instrumento de longo prazo do Sistema Nacional de Planeamento, que representa uma mudança de paradigma em relação à Estratégia de Longo Prazo-Angola 2025, cuja substituição é justificada pelo governo pelas alterações registadas nos contextos interno e externo, iniciadas em 2008. A mesma foi aprofundada a partir de 2014, após a queda brusca do preço do petróleo que obrigou a realização da sua avaliação a meio do percurso. Isto É Notícia