Bispo católico critica “grupo de iluminados” que não consegue resolver problemas do país

Avatar By Redacao Jul 12, 2023


Um bispo católico angolano Maurício Camuto criticou hoje que um grupo “que pensa ser iluminado” e quer levar Angola avante “como se tivesse uma varinha mágica”, não consiga resolver os problemas do país, defendendo maior participação cidadã.
“Há essa necessidade de implementar a participação de todos os cidadãos, que não haja só um grupo que pensa ser iluminado para levar o país avante, estamos a ver onde é que chegámos por causa disso”, afirmou hoje o bispo da diocese de Caxito, Maurício Camuto, em conferência de imprensa.
Aludindo às autoridades que dirigem o país, o bispo católico disse que este “pequeno grupo [de governantes] pensa ter todas as soluções, como se tivesse uma varinha mágica para resolver tudo”.
“E estamos a ver que não conseguem resolver”, realçou o também secretário-geral da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), tendo defendido mais espaço para os cidadãos participarem na vida do país.
“Que todos possam participar e dar o seu contributo político, social, programático para que ajudemos o país a sair da situação em que se encontra”, salientou.
Falando na conferência de imprensa de lançamento da sétima edição da Semana Social, que decorre em Luanda entre 19 e 21 de julho, numa parceria da CEAST com o Mosaiko — Instituto para a Cidadania, o bispo considerou ser “urgente” o processo autárquico.
“Então, é importante para isso que instauremos as autarquias para soluções locais e não esperar por decisões centrais, o que atrasa o nosso país e lança-nos na miséria em que nos encontramos”, apontou.
Para o católico angolano “é urgente e necessário a implementação do processo autárquico que pode nos ajudar a sair do marasmo em que nos encontramos”.
Maurício Camuto comentou também os argumentos sobre falta de condições nos municípios para a implementação das autarquias, considerando que se está a “colocar a charrua em frente dos bois”.
“Quando dizemos que há localidades que não têm desenvolvimento suficiente para realização das autarquias estamos a colocar a charrua em frente dos bois, este argumento não colhe”, observou.
Manifestou-se igualmente solidário com as vozes da sociedade civil e de setores políticos que defendem a materialização das eleições autárquicas no país, referindo que a esperança das autarquias foi apresentada pelo Presidente da República, João Lourenço.
Com a subida do atual Presidente da República, João Lourenço, ao poder, assinalou o bispo, “foi dada esta esperança sobre a realização das autarquias” mas “já lá vão tantos anos e até agora as autarquias não se concretizem”, criticou.
“Há muitas questões, que são normais, há interrogações sobre alegado medo ou risco de o partido no poder perder posições, pode ser isso, mas também se fala em legislação não concluída”, frisou.
O bispo católico defendeu ainda a necessidade de “pressionar” os legisladores, os deputados, de modo que estes possam concluir o pacote legislativo sobre as autarquias.
A lei sobre a institucionalização das autarquias em Angola é o único diploma do pacote legislativo sobre o poder local que falta ser aprovado pelo parlamento angolano.
As autarquias serão um dos temas abordado nesta “Semana Social”, espaço de debates sobre a vida socioeconómica do país. Este ano o encontro decorre sob o lema “Participação Local, Mudança Global”.