UMOJA | A indústria musical no processo de manutenção da inconsciência colectiva | Compreendendo a Engenharia do sistema na questão da criação da indústria e o isolacionismo do RAP

Avatar By Redacao Mai 21, 2023
A inconsciência colectiva não é uma mera casualidade dentro da realidade, ela tem seus estruturados dentro do próprio sistema seus códigos em sua complexidade, e eles são fundamentais para manter as pessoas inconscientes, principalmente para mante-las adormecidas, no filme Matrix, Morpheus fala sobre a “lady in red” dentro do sistema ela é um checkpoint para validar a nossa condição de entorpecimento mental e inconsciência, ela serve para validar a nossa presença no “fluxo”, certa vez falei sobre a evolução das culturas, na verdade elas não evoluem elas apenas atingem outras dimensões que são um reflexo directo da acção da cultura nas diferentes dimensões da mente humana, no caso de uma cultura ácida, ela reproduz a acidez como característica predominante.
Por exemplo depois da interrupção do Kuduro enquanto estilo que se afirmava com seus códigos, sua identidade, foi sabotado ele recebeu como fruto deste processo de sabotagem outros elementos que funcionam como matrizes na produção de inconsciência, a alteração das letras passou a reproduzir novos estados de inconsciência, que se corporizam na realidade de diversas formas, a palavra sempre foi o vector principal para criação de outras realidades, se a música for virada ao trivial, o trivial vai se manifestar em algum momento da expressão desta cultura como uma realidade concreta e isso a maioria compreende como evolução, mas nós chamamos de degeneração progressiva, os principios da cosmovisão Africana defendem que toda cultura tem seus objectivos e suas metas, se não for a elevação decerto é a depreciação, o formato actual do Kuduro gerou seus subprodutos que são um reflexo directo do padrão de consciência que o próprio estilo cria por meio da difusão das suas mensagens, por exemplo a cultura do uso da Jarda e corpos avantajados, o dress code virado a hipersexualização e a objectificação da mulher, o alcolismo, a imoralização, a deseducação, a pedófilia, são todos estados mentais projectados musicalmente produzidos pelas actuais composições do Kuduro, esta materialização permite manter a inconsciência quase de forma indeterminada, porque ela vai naturalizar e glamourizar a degradação em nome do entretenimento.
Quando falamos do poder da palavra, estamos conscientemente a falar disso mesmo, quando falamos sobre Jeová em Génesis ter feito a realidade e o mundo por via da palavra, estamos a falar de poder e do impacto que a palavra tem na construção, materilização e caracterização da própria realidade, talvez por esta mesma razão na questão de sabotagem do HipHop enquanto movimento o elemento que foi isolado para originar a indústria e o rap como uma especie de subcultura a serviço da indústria foi o MC (Mestre de cerimônias), o MC não representa somente um elemento do HipHop mas a consciência por detrás de todo um amplo Movimento, se você corrompe o MC você cria um adversário letal aos princípios do HipHop enquanto cultura, porque o MC é a palavra no HipHop, o MC é o arquitecto edificador da consciência do HipHop, mas o MC dentro do HipHop actua dentro de um código específico, logo a indústria para afastar o MC do seu propósito enquanto arauto da cultura HipHop, isolou a principal característica da MC o Rapping e criou o Rapper, se vermos aqui foi a oratória o instrumento transformador do MC que foi isolado, assim a indústria por meio do Rapper começou a destruir os princípios do HipHop, e a indústria fortaleceu o Rapper enquanto actor principal da indústria através, do mainstream colocando em circulação na grande mídia o processo de deseducação através do rapper, letras sobre incentivo as drogas, ao crime, a prostituição, apologia ao tráfico de drogas no interior das comunidades, hipersexualização e destruição da imagem da mulher preta, a misoginia, o consumismo, todos estes comportamentos se tornaram reais, mas começaram a ser popularizados e normalizados por via da música, a indústria matou a essência da música e a classificou como mero entretenimento, para ilibar o papel importante que a música desempenha na construção de valores na sociedade e categorizar como inofensiva toda produção destrutiva e seus impactos directos nas comunidades, a ideia do HIT(*) foi um mecanismo sublime para validar a violência, a produção de conteúdos músicas cada vez mais violentos e garantir acesso dos conteúdos negativos a circular nas arterias da sociedade e das comunidades, estas músicas criaram seu próprio universo de violência, o Hit(*), as premiações, galas, e os Tops controlados pela indústria bilionária também conhecida por Boulle(*) (Que foi apenas uma sociedade secreta apoiada pelo FBI e NSA, um espaço vital de guerra contra as comunidades negras por via do entretenimento, espaços financiados por magnatas brancos com grande capacidade logística), também incentivaram a produção de material cada vez mais descartável com conteúdo degradante que obedecia a lógica de desestruturação e deseducação das comunidades negras, há um porquê tendo em conta, que a música ela abrange todas as camadas da sociedade, tanto pessoas brancas como pretas acabam sendo influenciadas, e é real, mas aqui é chamada a questão da vulnerabilidade, a música rap tem maior poder de influenciar quando já existe um ambiente propício para ela exercer influência, as comunidades desestruturadas, a pobreza, as familias disfuncionais, mães solteiras, a segregação, a falta de oportunidades, são elementos comuns nos bairros sociais e comunidades negras, logo a música que é elaborada numa perspectiva de violência social, tem maior impacto emocional nestes espaços privados de autonomia por projectos racistas politicamente elaborados.
Já nas sociedades brancas o risco é menor, a violência e o crime são escolhas e não obedecem um ambiente que facilita conscientemente a indução a determinado comportamento.
Como resultado é visível, você tem uma ligação especial da música Rap com o comportamento violento da juventude negra, e assim outra ligação com o sistema carcerário de encarceramento em massa nos EUA que é um negócio bilionário, depois você se pergunta se a população negra nos EUA é 14% apenas, porquê que mais de 1 terço da população carcerária é negra? E mais de 70% desta são jovens negros? Bem, é a forma como o sistema projecta a sua engenharia, se você destruir a mentalidade da juventude de um povo, este povo nunca se levantará pois a revolução ela acontece em determinado momento das nossas vidas, ela tem etapas de amadurecimento e a idade adulta é a fase do conformismo, onde você se conforma com a luta, ou com a aparente invulnerabilidade do sistema com relação a nossa condição como povo e aceita a posição que eles nos colocam.
Por: Isidro Fortunato