Cruz Vermelha, que não paga salários há mais de 36 meses, irá eleger uma nova direcção esta quarta-feira

Avatar By Redacao Mai 8, 2023


Há mais de três anos que a Cruz Vermelha de Angola (CVA), organização humanitária, não paga salário aos seus funcionários, tudo porque não recebe do Ministério da Saúde (MINSA) dinheiro suficiente para a sua manutenção, mas irá eleger no próximo dia 10, quarta-feira, mediante eleições, uma nova direcção. Funcionários esperam que a nova direcção resolva os problemas da organização.
A Cruz Vermelha de Angola vai a eleições, por conta do fim de mandato da actual direcção, liderada por Alfredo Pinto, que assumiu a presidência em 2018, mas que nunca recebeu os 24.698 milhões de kwanzas correspondentes à quota financeira mensal estipulada pelo Ministério das Finanças (MINFIN), segundo denúncias desta direcção, ao Novo Jornal, em 2020.
A situação, para além de preocupante, condiciona os trabalhos humanitários da organização em todo o País. Mas três candidatos estão apurados para concorrer à presidência desta organização internacional que não paga salários há mais de 40 meses.
Delfina Cumandal, Faustina Alves e Carlos Alberto Rodrigues – um deles será eleito o novo presidente da Cruz Vermelha em Angola.
Durante as suas campanhas eleitorais, com excepção de Carlos Alberto Rodrigues, os candidatos prometeram resolver o problema dos atrasos salariais da organização.
Delfina Cumandal pretende valorizar o capital humano, aumentar o volume de membros e contribuintes. Faustina Alves, quer impulsionar acções da CVA e reforçar o diálogo interno, enquanto Carlos Alberto Rodrigues quer resgatar e devolver o bom nome da organização e inovar a instituição.
Com o pleito, que acontece já no dia 10 e que vai escolher a nova direcção da instituição humanitária e filantrópica, o actual secretário-geral, Mateus Caquarta, espera que o problema dos mais de três anos sem salários seja resolvido.
“Esperamos que os candidatos, já que estamos a 40 meses sem salário, tragam boas novas para saciar a fome”, apelou.
Em declarações ao Novo Jornal, em 2021, Simão Caquarta, secretário-geral da Cruz Vermelha de Angola, disse não perceber as razões que levam o MINSA a atribuir apenas 400 mil kwanzas de verbas à CVA.
“Infelizmente só recebemos do MINSA 350 a 400 mil kz – mês, para cobrir as nossas despesas correntes em todo o País. Isso não chega para nada”, disse o responsável na ocasião.
Segundo o secretário-geral, repartindo pelas 18 províncias os 400 mil kz, cada secretariado recebe apenas entre 19 e 22 mil kz.
“O que não chega sequer para pagar a água e a luz eléctrica”, lamentou.
De acordo com Simão Caquarta, a CVA precisa de 600 milhões de kwanzas para cobrir os meses de salário em atraso.
O Novo Jornal sabe que até agora a direcção actual da CVA continua a não receber a sua dotação orçamental de 24.698 milhões de kwanzas, correspondentes à quota financeira mensal estipulada pelo Ministério das Finanças (MINFIN).
Entretanto, o Novo Jornal questionou directamente os três concorrentes sobre como resolveriam o problema dos atrasos salariais dos funcionários, mas não obteve resposta dos candidatos.
Fonte: Novo Jornal