UNITA foi “maior beneficiária da paz quando ex-PR perdoou dirigentes “franzinos” – Job Capapinha

Avatar By Redacao Abr 12, 2023


O político do MPLA Job Capapinha disse hoje que a UNITA (oposição) foi a “maior beneficiária” da paz, pela “complacência” do ex-presidente angolano, ou “teriam desaparecido tal como chegaram franzinos das matas”.
Job Capapinha, também governador da província angolana do Cuanza Sul, criticou a ausência da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) na marcha pela paz e estabilidade, realizada no âmbito dos 21 anos de paz, em 04 de abril, e disse que o partido fundado por Jonas Savimbi foi o que “mais se beneficiou da paz”.
“Porque se o camarada Presidente José Eduardo dos Santos não quisesse eles [dirigentes da UNITA] tinham desaparecido, tal como chegaram da mata, uns até já estavam a cair sozinhos era só empurrar, não se lembram dessas imagens?”, questionou Job Capapinha, citado pela Emissora Católica de Angola.
“São eles que mais se beneficiaram da paz e agora que são chamados a saudar a paz não querem, fugiram, então querem o quê?”, perguntou ainda, na sua intervenção na abertura de um seminário dirigido aos quadros da comissão de auditoria e disciplina do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975) naquela província.
Capapinha, que é também membro do comité central do MPLA, criticou igualmente a UNITA, maior partido na oposição, pelo facto da JURA, braço juvenil dos “maninhos” se ter retirado do Conselho Nacional da Juventude (CNJ).
“Então, se aquilo [CNJ] é uma plataforma de convívio, uma base de discussão democrática, elas estão pela democracia e retiram-se de uma plataforma dessas porquê? Para insinuar a confusão, para indiciar anarquia, está claro, portanto, eles não estão por bem”, atirou.
O secretário-geral da Juventude Unida Revolucionária de Angola (JURA), Nelito Ekuikui, acusou na semana passada, em declarações à Lusa, o MPLA de instrumentalizar o CNJ, motivo que levou a suspender a participação neste órgão.
“Nós estamos a contestar a instrumentalização do Conselho Nacional da Juventude pelo MPLA, particularmente pelo Presidente da República (João Lourenço)”, afirmou Nelito Ekuikui.
O líder da JURA considerou que o CNJ “nos últimos anos se desviou da sua missão fundante”.
“Significa que o Conselho Nacional da Juventude hoje tornou-se num movimento de mobilização para elevar a imagem do atual Presidente da República e do MPLA, que tem a imagem completamente para baixo”, acrescentou.
Angola assinalou, em 04 abril, 21 anos de paz, em celebração ao Memorando Complementar da Paz assinado no Luena, província angolana do Moxico, em 04 de abril de 2002, entre o Governo angolano e a UNITA, que ditou o fim das hostilidades.
Em relação à ausência da UNITA, na marcha da paz realizada na cidade do Sumbe, capital do Cuanza Sul, o secretário provincial da UNITA, citado hoje pela Rádio Católica angolana, disse que o seu partido não participou do ato porque o desenvolvimento passou pela província.
“No Cuanza Sul, 21 anos de paz, vimos o desenvolvimento a passar por nós, rumo às províncias vizinhas e, como resultado, hoje temos um Cuanza Sul com enormes problemas, basta ver a realidade social da província a partir da sua cidade capital”, considerou Armando Manuel Kaquepa.
Para os que promoveram tal marcha, justificou: “Pensamos nós que só estavam a enaltecer os ganhos de outras províncias, que ganharam universidades, estradas, ruas, e ainda com orçamentos gordos para soluções que se impõem, esqueceram-se que vivem numa cidade da poeira e lama”.
“Uns que participaram da marcha tiveram que regressar à casa com fome, enquanto outros foram em restaurantes beber vinho que custa 70.000 kwanzas (126 euros), por isso não pactuamos com essa atitude anti-humana e antipatriótica”, atirou o também deputado da UNITA, em resposta a Job Capapinha.
Fonte: Angola 24 horas