Quando é que há Intolerância? – Mbanza Hanza

Avatar By Redacao Mar 28, 2023

Eu vejo muita gente a fazer confusão nos comentários nesta publicação sobre a temática da intolerância e no facto de eu ter dito e repito “apoiemos os que nos apoiam mas respeitemos quem pensa diferente! Não importa quem ele seja e o que faça!”
PRIMEIRO
A intolerância acontece quando se está em igualdade de circunstâncias. Vejamos, vou começar com o exemplo mesmo do irmão promotor do acto cívico o irmão Gangasta 77. Todos sabemos que o irmão pelos perigos inerentes que corre, está escondido “o MPLA mata!” E a mim nem precisa me ser dito isso, sei-o muito bem. Mas, veja, essa actitude é uma manifestação de MEDO! Sim, medo para não perder a vida, medo para não prejudicar a família nuclear, medo de prisão, medo, medo, medo! OK?
Do outro lado você tem um cidadão comum, ou uma figura pública, que seja, e essa pessoa teme que se aderir ao protesto venha a sofrer represálias, pode ser punição política, perda de emprego (o que não se coloca muito, pois faltar uma única vez ao serviço nunca deverá dar em despedimento, mas não estamos num país normal aliás, é por isso mesmo que foi convocado protesto). Esta pessoa também tem medo de prejudicar os seus, caso alguma coisa aconteça a si ou com a sua fonte de rendimentos, tem medo, medo, medo! OK?!
A intolerância surge, quando um acha que o seu medo é patriotismo e o do outro é covardia, cooperar com o regime, ser anti-mudança, ser imbecil, ou sei lá o que seja! Não é isso. Se entre os dois ninguém estivesse numa toca, ai sim, ambos estão a enfrentar e a correr os seus riscos de forma consciente. Quando ambos são impelidos pelo mesmo factor, ou seja, medo, devem se tolerar ou seja, usar de persuasão e não essa arrogância que vou vendo. Para que cada um entenda que o acto é questão é sublime, colectivo e nos realiza a todos.
SEGUNDO
O caso do João Pinto e o JLO que foi citado contra mim “Mbanza você chamou o João Pinto de bajulador, assim estavas a respeitar a sua liberdade?” Como já vos disse acima, ali não estamos em igualdade de circunstâncias, ou seja, eu tinha que ter sido bajulador e ainda assim chamar o João Pinto de bajulador com aquela intenção mesmo de o expor ao ridículo! O mesmo se aplica ao JLO e a confrontação tida no dia 26 de Agosto de 2020.
Para vos ajudar a entenderem mais ainda essa questão da necessidade de se estar em igualdade de circunstâncias eis um exemplo muito comum e repetitivo. O MPLA quando convoca os seus comícios e actos políticos, ele obriga a participação de todos: professores, músicos, fazedores de opinião, médicos, etc. Mesmo que estas pessoas não tenham vontade de ir ou não concordem com o acto. E nós sempre nos levantamos para denunciar isso, expondo tal como violação da liberdade individual, et al.
Hoje, estamos nós a fazer o mesmo. A causa do dia 31 é nobre, a destruição que o MPLA e seus aliados: o ocidente e a oposição política, fazem contra nós e dilacera cada um de nós, é um facto, mas será que justifica que façamos o mesmo que o MPLA faz? É ai que eu disse: “queremos liberdade mas não a vamos conseguir tirando liberdade.” Não se pode cometer um erro para corrigir outro erro! Qual seria a melhor saída?! Não dar destaque desnecessário a quem está no contra e focar-se em quem está a apoiar. Usar o discurso persuasivo, ao invés da imposição autoritária e essa bosta ai de cancelamentos estúpidos. Eu me pergunto: por que não dar destaque as figuras públicas que tomaram posição a favor do protesto ao invés de perder tempo com as figuras que se opõe? Que tal criar-se uma página oficial para este acto, a minha sugestão de nome seria: “Desobediência 31” ou “D313” = (D 31 de Março) e que seja este o espaço onde as pessoas vão encontrar as informações oficiais sobre o andamento das coisas bem o número crescente de gente a aderir a causa. Será que a vontade de concentrar atenção vai superar os benefícios do engajamento organizado, colectivo e para bem comum?!
Qual está a ser o resultado? pelo que vejo tem mais boicotes ou discussão sobre os contra a circular na net que mensagens pró o acto; e a maioria do pró desde a promotoria ao mais imberbe participante têm um discurso desnecessariamente musculado e ofensivo, parece até que descobriram uma fórmula mágica, quando não é o caso. No dia 1 de Abril, ou mais tardar no dia 3, o pessoal vai voltar a encher os empregos e fortalecer novamente o tal poder do MPLA que se quis derrubar!
O meu temor avoluma-se quando vejo que estamos a construir uma nação onde temos que temer o MPLA, temer a UNITA e temos que temer os Revus, porque todos estes quando estão imbuídos naquilo que chamam de seu dever, não querem ver ninguém a pensar, falar ou até mesmo cogitar se opor! O país vai parar aonde?!
FINALIZANDO
Eu por exemplo não estou em igualdade de circunstâncias com qualquer um de vocês e fico puto quando vejo vocês se sentirem já os grandes revus só porque vão cometer o vosso primeiro acto de desobediência no emprego, isso se vocês o fizerem mesmo. Há muita boca que tenho dúvidas que venha ter prática.
Pois, eu independentemente de se há ou não convocatória para ficar em casa eu fico em casa no dia 31 assim como já tenho estado desde 2019. Eu rejeitei o meu diploma de Licenciatura por protesto em 2014 e até hoje, não fiz nenhuma outra licenciatura (o único documento acadêmico que possuo é o meu certificado do Ensino Médio, de 2006). Larguei o meu emprego no Ministério da Educação em 2017 e até ao momento não arranjei outro emprego nem público e nem privado, única excepção foi o Projecto CTV que conduzimos de finais de 2016 a maio de 2019.
Todos esses foram actos de protestos conscientes que me fazem hoje uma pessoa que não está nas mesmas circunstâncias de aperto que a maioria de vocês está, por isso me limitei a apoiar o protesto e não estou a dizer a ninguém para ficar em casa ou não ficar. Eu deixo que cada um use da sua consciência, pois eu se ficar em casa, não terei represálias e nem precisarei de me justificar a ninguém. Se eu sair, também não terei represálias e nem precisarei de me justificar igualmente a ninguém.
Agora, estaria a ser intolerante se eu exigisse que cada um de vocês fizesse o que eu fiz: que largasse o seu emprego e rejeitasse o seu diploma. E nem preciso dizer que se isso for feito em massa como se quer que seja o dia 31, não só o MPLA, mas até os brancos caiem! A minha pergunta é, quantos conseguiriam? Quantos estariam dispostos?
Por isso quando vos vejo virem aqui na página fazer espuma, rio-me de quão pueris sóis. Este é só um acto estimulante, é como um exercício de aquecimento numa partida de futebol. Que jogador de futebol se envaidece e se gaba só de estar no aquecimento? A prova da tua craqueza ou não se vê em campo e não no aquecimento.
Tenho dito!
Muna 27 de Março de 2023
Mbanza Hanza, O Grande Elefante, FPR!